Centeno nega integração do Novo Banco na Caixa

"Qualquer notícia nesse sentido é apenas e só especulação", garantiu ontem o ministro das Finanças

Mário Centeno desmentiu as informações veiculadas pela sua antecessora, Maria Luís Albuquerque, de que o governo está a ponderar integrar o Novo Banco na Caixa Geral de Depósitos (CGD), usando os milhares de milhões de investimento/ajuda no banco público para acabar com a resolução do Novo Banco.

"Qualquer notícia nesse sentido é apenas e só especulação", referiu o ministro das Finanças, ontem à tarde, na apresentação do plano a cinco anos para recapitalizar e reestruturar a Caixa.

A ideia de incorporar o Novo Banco seria a razão para o banco público necessitar de uma injeção tão elevada de capital, defendeu a ex-ministra no Jornal de Negócios .

"Por cá e em Bruxelas comenta--se que o governo tenciona integrar o Novo Banco na CGD" e "há rumores de que uma recusa de Bruxelas poderia fazer cair o executivo", escreveu a antiga governante.

"É precisamente por o PSD não desconhecer o que se passava até ao final de novembro de 2015 que queremos saber porque é pedido aos portugueses um esforço tão significativo - quatro mil milhões de euros - para a recapitalização do banco público", disse.

Questionado sobre o "diz que disse" da ex-ministra das Finanças, Mário Centeno assegurou que "o Novo Banco está totalmente fora do plano" que está a ser preparado para a Caixa Geral de Depósitos e que "não há uma única referência ao Novo Banco no plano que está a ser discutido com a Comissão Europeia".

No mesmo artigo de opinião, a agora vice-presidente do PSD e administradora não executiva da consultora inglesa Arrow Global, insistiu na comissão de inquérito à Caixa. "Como é que a especulação e a falta de transparência podem contribuir mais para a solidez e reputação de um banco do que o seu escrutínio sério e democrático? Será que é intenção do governo fazer recair o custo da resolução do BES sobre os contribuintes?", questionou.

O primeiro-ministro, António Costa, já disse que é partidário de uma solução que apure factos mas que "não perturbe a estabilidade do sistema financeiro e em particular a CGD, que é o grande pilar da estabilidade do sistema".

O Expresso noticiou que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, também preferem um apuramento de informação mais discreto, low profile, de modo a não levantar mais poeira e a não causar mais turbulência no setor.

Com Filipe Paiva Cardoso

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