CDS. "Tudo por tudo" para ir além do "penta" conquistado em 2013

O CDS continua um micro partido autárquico mas em 2013 Paulo Portas anunciou que tinha passado de uma presidência para cinco. O DN foi ver como tem governado os seus municípios

"Tragam as bandeiras! Temos penta!" A frase inspirada de Paulo Portas ficou na memória de todos os que, na noite de 29 de setembro de 2013, estavam no Largo do Caldas, a sede do CDS, a acompanhar a noite eleitoral. O "penta" do então presidente do partido eram as cinco câmaras municipais ganhas. Desde 2005 que Ponte de Lima era filho único dos municípios do CDS, órfão de outros tempos em que os centristas chegaram a liderar 36 autarquias. Nessa noite juntaram--se-lhe Albergaria-a-Velha, Vale de Cambra, Velas e Santana.

A um ano do próximo combate eleitoral, a presidente do partido já deu o mais claro dos sinais sobre como está o partido a preparar-se. A invocar a inspiração de Nuno Krus Abecasis, que governou a capital entre 1980 e 1989, Assunção Cristas será a cabeça-de-lista naquele que é o mais duro teste dos partidos nas eleições locais - a Câmara de Lisboa. A chamada foi ouvida em todas as estruturas de base do país e, como se viu no último mês na Convenção Autárquica", o entusiasmo da líder contagiou as bases que não a querem deixar ficar mal na "guerra" que se avizinha.

E o que podem aprender com José Pinheiro (Vale de Cambra), Teófilo Cunha (Santana), Luís Silveira (Velas) e António Loureiro (Albergaria), que nos últimos quatro anos se estrearam ao comando dos seus municípios? A resposta é dada por Domingos Doutel, o coordenador autárquico: "O trabalho dos autarcas do CDS é focado no homem e na sua comunidade. Comprometem-se com as políticas de proximidade, como as políticas de família e as políticas sociais e comunitárias. Como dizia Nuno Abecasis, "como autarcas, transformamos o poder em serviço"."

No pequeno concelho madeirense de Santana, com oito mil habitantes, o farmacêutico Teófilo Cunha conquistou ao PSD a autarquia com uma vitória esmagadora: o CDS passou de 12% para 51% dos votos. Trunfos? "O anterior presidente cometeu um erro de palmatória. Deixou de falar com as pessoas e o povo não gosta disso", assinalou ao DN. "A grande proximidade com as pessoas, até porque praticamente todas me conhecem quer da farmácia quer da junta de freguesia que presidi, foi o meu e é o maior trunfo do CDS." Será em 2017 outra vez o cabeça-de-lista e mantém o PSD "como principal adversário".

Tal como nos outros municípios, também em Santana a prioridade foi para acertar as contas - o endividamento era em 2013 de 8,4 milhões de euros, agora é de três milhões, e até final do mandato o presidente estima que será de 2,2 milhões.

Em Albergaria-a-Velha, António Loureiro, empresário, apostou na requalificação urbana, criou a Rota dos Moinhos e o Festival do Pão. Em Vale de Cambra, José Pinheiro, enólogo, também investiu na cultura e comprou um histórico cinema para criar um centro cultural.

Os dados estão lançados e os segredos do sucesso partilhados. O tiro de partida foi dado por Cristas. E se alguém tiver dúvida sobre o interesse dos centristas nestas eleições é olhar para o "bastião" de Ponte de Lima, governado desde 1976 (data das primeiras eleições autárquicas) por este partido. Em 2017 terá não um, mas dois candidatos militantes do CDS. O atual presidente, Vítor Mendes, apoiado por Cristas, e Abel Batista, ex-deputado, ex-vice-presidente dessa câmara, que já anunciou que vai desafiar Mendes, como independente. E não é o único: em Oliveira do Bairro, onde o CDS ficou em 2013 a sete votos do PSD, o então candidato oficial, Paulo Caiado, será agora candidato independente.

Na direção do partido é assumido que Lisboa merecerá o máximo de atenção, ou não fosse um teste à liderança de Cristas. "Um bom resultado em Lisboa contaminará sempre o resultado global e compensará qualquer resultado menos bom no resto do país", sublinha um dos vice-presidentes, sem, no entanto, deixar de ressalvar que se vai "apostar tudo por tudo em ganhar mais câmaras".

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