Cavaco acusa Sócrates de mentiras e desconfiava da relação com Chávez

Livro de memórias do ex-Presidente é lançado esta quinta-feira

O livro foi mantido praticamente em segredo pela editora até ao dia do lançamento, esta quinta-feira, dia 16 de fevereiro. As memórias de Cavaco Silva - que se intitulam, precisamente, Quinta-feira e Outros Dias - recaem sobre os dois mandatos do ex-Presidente da República e prometem agitar as águas, já que serão revelados episódios da complexa coabitação de Cavaco com o então primeiro-ministro José Sócrates - os encontros entre os dois eram sempre às quintas-feiras.

Horas antes do lançamento do livro, marcado para as 18:30, a SIC Notícias avança em exclusivo alguns excertos das memórias de Cavaco Silva, revelando que o ex-Presidente fala de "fingimentos, mentiras e falta de lealdade"." Quanto mais via o entusiasmo do primeiro-ministro com os negócios das empresas da Venezuela, mais desconfiado eu ficava. Não me enganei", escreve Cavaco, citado pela SIC Notícias, referindo-se à relação de Sócrates com o regime de Hugo Chávez, que está sob investigação.

O ex-Presidente acrescenta que Sócrates demonstrava ser "parco a cumprir o que dizia" e recorda um episódio em particular, que o ex-primeiro-ministro omitiu: tendo enviado cartas à Comissão Europeia e ao Banco Central Europeu, Sócrates não o comunicou ao PR. "Já sabia que tais cartas existiam. Era evidente que o primeiro-ministro procurara escondê-las. Como podia eu confiar nele?"

No livro, com mais de 600 páginas divididas em 52 capítulos, Cavaco elogia a atitude de Teixeira dos Santos, que à beira do resgate acabou por forçar o pedido de ajuda externa, e atribui a queda do governo minoritário de Sócrates à incapacidade do Executivo para dialogar. Admite que não teria dissolvido a Assembleia da República, mas ressalva que nunca acreditou que o PEC IV evitaria o resgate, escrevendo que o "contexto dramático" que se vivia era fruto dos erros cometidos pelo governo.

Apesar das críticas, Cavaco reserva um elogio a Sócrates: o facto de nunca se ter deixado "capturar" pelo PCP e Bloco de Esquerda, frisando - num aparente recado ao atual primeiro-ministro, António Costa - que "não existe na Europa, nem tão pouco no mundo, qualquer país que seja desenvolvido e que registe um caminho de sucesso tendo partidos da extrema-esquerda a determinar a condução da política económica".

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