Catarina alerta Costa: "Ficar à espera de ventos bons de Bruxelas ou Berlim é perigoso"

Porta-voz nacional do Bloco abre X Convenção com um discurso de balanço dos últimos dois anos do partido e avisando que a esquerda tem de ter uma resposta forte à crise europeia

Catarina Martins abriu este sábado a X Convenção Nacional do Bloco de Esquerda (BE) vincando que a esquerda tem uma palavra a dizer na resposta à crise da União Europeia e deixou o alerta de que esperar por mudanças num espaço comunitário em acelerada degradação pode ser não só irresponsável como perigoso.

Questionando "o que resta hoje da União Europeia", a porta-voz nacional do Bloco sublinhou a "ruinosa resposta à crise financeira, depois das troikas", "a capitulação imposta à governação à esquerda na Grécia, face à complacência europeia com os muros e a xenofobia, olhando a crise de direitos básicos dos refugiados" e ainda "o vergonhoso acordo com a Turquia, depois do referendo no Reino Unido pela saída da União". "Tem ainda sentido a esquerda posicionar-se no espaço da disputa pela miragem de uma Europa imaginária e bondosa, que quisesse ser social e democrática, cada vez mais distante da realidade dos tratados e dos poderes fáticos?", interrogou, numa incursão por aquele que será um dos temas mais presentes na reunião magna: a Europa.

E Catarina tratou logo de responder. Com renovadas perguntas: "Ou não teremos nós de responder já sobre qual é o papel da esquerda face à degradação da União Europeia a que estamos a assistir agora?"

Por isso, fez soar o alerta para a esquerda nacional, num nítido alerta ao PS e ao seu maior otimismo perante as instituições comunitárias. "Preparar as respostas que contam para as lutas mais duras é a nossa tarefa nesta Convenção. A política que responde pelo seu país tem de preparar todos os cenários. Ficar à espera de ventos bons de Bruxelas ou Berlim não é só irrealista. É perigoso", atirou, na linha das declarações que tem feito nos últimos tempos - e ciente de que a Europa é uma das linhas que separa os elementos da "geringonça".

"Enquanto esperamos o que não vem, o sistema financeiro nacional degrada-se e consigo degrada a economia. Portugal perde centros de decisão e, portanto, soberania e capacidade de escolha e continua a destruir emprego. As fundações da democracia - direitos sociais, direitos laborais, onde assenta a liberdade - são destruídas. Se esperarmos o que não vem, seremos confrontados com novas e maiores crises financeiras à escala europeia, crescente xenofobia, catástrofe humanitária", reforçou.

Porém, na intervenção que durou cerca de 25 minutos num pavilhão do Casal Vistoso ainda longe de estar preenchido, a líder bloquista também apontou para dentro. Mergulhou numa comparação entre a realidade do Bloco há dois anos (quando decorreu a última Convenção) e recordou o percurso que foi trilhado para que hoje o suporte uma maioria parlamentar e puxou dos galões para salientar o que poderia ser diferente caso a expressão eleitoral do partido fosse outra.

Depois de elencar várias das medidas já postas em marcha nos primeiros meses de Governo PS por iniciativa ou interferência do Bloco - como o aumento mais acelerado do salário mínimo, o descongelamento das pensões, a reposição de prestações sociais ou o alargamento da tarifa social de energia -, Catarina avisou ao que vem: "E é só o início. O Bloco teve 10% nas eleições, determinamos a maioria mas não temos ainda a força para fazer o Governo. Tivesse o Bloco tido mais força e o Banif não tinha sido entregue ao Santander."

No mesmo registo, continuou: "Tivesse o Bloco mais força e o governador do Banco de Portugal não continuava a assustar o país com ameaças de colapso bancário umas atrás das outras. Tivesse o Bloco mais força e Portugal não tinha assinado com a Turquia a vergonha do acordo anti-humanitário que é o contrário do que a Europa tinha que fazer."

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