Capucho sondado para ser candidato do PS em Cascais

Apesar de faltar mais de um ano para o poder local ir a votos, as estruturas dos partidos já se mexem. O PS aposta forte na reconquista de Cascais chamando um dissidente do PSD

As conversações já começaram. A comissão política concelhia do PS em Cascais vê com bons olhos a possibilidade de António Capucho ser o candidato do partido àquela câmara municipal nas eleições autárquicas do próximo ano.

Segundo o DN apurou, Capucho - eleito três vezes (2001, 2005 e 2009) presidente daquela autarquia pelo PSD, partido do qual se tornou militante logo em 1974 e no qual exerceu inúmeros cargos de topo - foi sondado "informalmente" pelos socialistas mas só dará uma resposta mais tarde. Em 2013, Capucho apoiou uma lista independente em Sintra (formada por dissidentes do PSD) e foi expulso do partido.

Pesa negativamente na resposta o facto de já ter 71 anos - mas a porta não está fechada. Uma eventual candidatura tentará também envolver os independentes locais liderados por Isabel Magalhães, que conseguiram 7% nas últimas autárquicas. Não está também posta de parte a intenção de formar uma ampla frente de esquerda que congregue o PCP e o Bloco de Esquerda em torno da candidatura.

Falando ao DN, Luís Miguel Reis, presidente da concelhia do PS em Cascais, disse que desta vez o partido pretende ter no concelho uma candidatura "credível e robusta" que reforce substancialmente os resultados do partido (em 2013, com João Cordeiro à frente da lista, os socialistas ficaram-se pelos 21%). Uma coligação PSD-CDS liderada pelo social-democrata Carlos Carreiras - agora o coordenador nacional autárquico do partido - venceu folgadamente as eleições, obtendo 42,7% dos votos. No executivo autárquico de Cascais, a aliança PSD-CDS é maioritária, com seis eleitos; o PS tem três eleitos, a CDU um e a lista independente de Isabel Magalhães outro.

Para Luís Miguel Reis - que acha demasiado prematuro dar-se já a escolha do PS como encerrada -, é necessário ao PS criar um "movimento amplo". E nesse movimento "até António Capucho pode ser incorporado".

Capucho e o PSD romperam em 2014 e desde aí foram várias as ocasiões em que o histórico dirigente social-democrata colaborou com o PS. De forma muito visível, associou-se à candidatura do PS nas últimas eleições europeias, que tinha Francisco Assis a número um (e sendo então António José Seguro o líder do partido).

Até António Capucho pode ser incorporado

O PS mudou de líder em setembro de 2014 mas o novo secretário-geral, António Costa, continuou a "capitalizar" para o PS a aproximação a Capucho.

Em junho de 2015 o PS organizou no Coliseu dos Recreios a Convenção Nacional com que aprovou o seu programa eleitoral para as legislativas de outubro. António Capucho foi o convidado-surpresa e pôs a plateia de pé a aplaudi-lo quando declarou apoio ao PS.

"Como tem sido público e notório, há três anos entrei em rota de colisão frontal com o partido que ajudei a fundar. Suspendi a militância e fui expulso no ano passado", começou por explicar.

Atacando a aliança Passos-Portas, disse que "no início da legislatura o governo incumpriu de forma gritante as promessas que fez na campanha: aumento brutal dos impostos, cortou salários e pensões", indo "muito para lá dos compromissos assumidos com a troika."

Portanto, "o que se impõe é fazer diferente, inverter a crise, combater as desigualdades". "Não tenho hesitação em considerar as propostas do PS como globalmente positivas, credíveis, merecedoras do meu apoio", clarificou. Dizendo que, além do mais, acreditava na liderança de Costa ("António Costa merece a minha confiança no plano pessoal e político"), voltou a dizer: "Quero deixar o meu apoio público ao PS nas próximas eleições" - e foi nesta altura que a plateia se levantou para o aplaudir.

A rutura de António Capucho com o PSD de Passos iniciou-se em 2011: Capucho não foi colocado na lista de candidatos a deputados, mas tinha-se voluntariado, sem resposta da liderança, para presidir ao Parlamento. Depois das legislativas, o PSD retirou-o do Conselho de Estado.

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