Cante alentejano no sentido adeus a Nicolau Breyner

Marcelo agradeceu os "momentos de felicidade". Herman José classificou-o como "insubstituível"

No adeus a Nicolau Breyner, natural de Serpa, não poderia faltar o cante alentejano. O Grupo Coral Etnográfico da Casa do Povo de Serpa cantou esta terça-feira, ao fim da tarde, frente à Basílica da Estrela, numa emocionante última homenagem ao ator, num velório em que compareceram a sua família, amigos, colegas de profissão e outras figuras de diferentes áreas da vida pública.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, chegou à Basílica da Estrela pouco antes das oito da noite. Amigo pessoal de Nicolau, fizera questão de lamentar a sua morte na própria segunda-feira, pouco após a notícia do seu desaparecimento, numa declaração pública no Palácio de Belém.

À saída, numa curta declaração, Marcelo agradeceu "os momentos de felicidade que [Nicolau Breyner] partilhou com milhões de portugueses".

Amigo de longa data de Nicolau Breyner, Herman José saiu do velório visivelmente emocionado. "O cordão umbilical que eu tinha com o Nicolau nunca se tinha partido. Hoje é a primeira vez que eu caio na real e sinto que o cordão se quebrou", declarou o humorista.

"Sempre disse que devíamos viver pelo menos 400 anos, como algumas tartarugas, mas no caso do Nicolau não chegava. Nem mil anos chegavam. Ele é verdadeiramente insubstituível. Se hoje quiserem fazer um casting para um papel feito para o Nicolau não conseguiam", concluiu.

Ele sabia multiplicar os amigos

António Costa, o atual chefe de governo, não faltou ao velório do ator que não resistiu a um ataque cardíaco, aos 75 anos. João Soares, Ministro da Cultura, também se deslocou à Basílica da Estrela, tal como Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa. O autarca descreveu o desaparecimento de Nicolau como "uma tragédia que se abateu sobre nós".

O líder do PSD e ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, lembrou na Basílica que Nicolau Breyner "foi um homem de cultura, multifacetado, um homem cheio de talento, que nos entrou pelas casas durante tantos anos".

"Venho aqui em sinal de muito respeito, por aquilo que ele simbolizou, pela amizade. E ele tinha essa qualidade também: sabia multiplicar os amigos. O país deve recordar o homem de cultura que ele realmente foi em Portugal durante todos estes anos e o património que ele nos deixou. Estamos todos muito mais pobres por não o termos entre nós", acrescentou o líder social-democrata.

Ele partiu sem avisar

Também com a emoção estampada no rosto estava a atriz Ana Bola, que além de salientar que Nicolau era "um dos artistas mais consensuais" do nosso país, disse: "Ele partiu prematuramente, e ainda por cima sem avisar!"

Colegas, amigos, todos admitem que tinham um almoço ou um jantar por combinar com Nico. "É uma perda inestimável para a cultura do país. Foram 40 anos de amizade. Ele era um homem que estava à frente do seu tempo e do país", salientou o músico Luís Represas.

Melânia Gomes, atriz que integra o elenco da novela da TVI "A Impostora", da qual Nicolau também fazia parte, não conteve as lágrimas: "Ele era uma pessoa doce. Estivemos a gravar na quinta-feira o dia todo. A equipa está completamente destroçada", descreveu.

Virgílio Castelo, Luís Esparteiro, Piet-Hein Bakker, José Eduardo Moniz, Pedro Granger, António Sala... O desfile de figuras públicas foi permanente para homenagear o ator que foi também produtor e realizador.

A atriz Lurdes Norberto resumiu, de alguma forma a ideia que todos transmitiam: "Ele tinha sempre projetos por fazer. Era um homem que não parava. Vou guardá-lo com um sorriso nos lábios. Um dia vamos reencontrar-nos".

Esta quarta-feira, às 15.00, será rezada a missa de corpo presente. O cortejo fúnebre segue depois para o cemitério do Alto de São João, onde Nicolau Breyner irá ser cremado, como era sua vontade.

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