Buscas a Bava e Granadeiro na Operação Marquês

Autoridades fizeram ontem buscas a antigos gestores e estiveram na PT. Em causa negócios que envolveram também o BES

Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, antigos gestores da PT, terão ontem sido alvo de buscas judiciais efetuadas no âmbito da Operação Marquês, em que o principal arguido é o ex-primeiro-ministro José Sócrates.

Os seus nomes foram ontem avançados pela SIC, na sequência de um comunicado da Procuradoria-Geral da República dizendo que "no âmbito da designada Operação Marquês" se realizaram ontem "buscas domiciliárias e não domiciliárias em vários pontos do país, designadamente em instalações de diversas sociedades do grupo PT, em residências de antigos gestores da empresa e num escritório de advogados". O DN tentou - em vão - contactar tanto Granadeiro como Bava. Ouvido pelo Expresso, Granadeiro afirmou: "Não confirmo, não desminto nem comento."

Segundo o comunicado da PGR, "em causa [nas buscas ontem realizadas] estão eventuais ligações entre circuitos financeiros investigados neste inquérito e os grupos PT e Espírito Santo". "No decurso destas diligências procedeu-se à recolha de prova complementar àquela que já se encontrava reunida nos autos" e na Operação Marquês investigam-se "factos suscetíveis de integrarem os crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais". Segundo a SIC, o escritório de advogados alvo de buscas terá sido o de João Abranges Serra, que apoiou a PT na compra da empresa brasileira Vivo.

Em julho de 2015, o jornal Público noticiou que a justiça portuguesa estaria a investigar "o envolvimento político no negócio de venda à Telefónica das ações da PT na brasileira Vivo e o cruzamento de posições acionistas com a operadora brasileira Oi" - um negócio de 2010 que "envolveu 7,5 mil milhões de euros". "Suspeitas de benefícios financeiros, no valor de várias dezenas de milhões de euros, concedidos a governantes, acionistas e quadros de topo das operadoras podem estar na origem das averiguações." Em junho de 2010, José Sócrates, como primeiro-ministro, acionou a golden share que o Estado português então detinha na PT para impedir que esta vendesse à Telefónica as ações que detinha na brasileira Vivo.

A PT foi vítima em 2014 do colapso do Grupo Espírito Santo. A empresa tinha comprado quase 900 milhões de dívida a uma das holdings do GES, a Rioforte, dívida nunca ressarcida. Os franceses da Altice compraram a empresa portuguesa por cerca de sete mil milhões de euros.

A Operação Marquês já conta com mais de uma dezena de arguidos, entre os quais o ex-primeiro-ministro José Sócrates, que está indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito.

Entre os arguidos no processo da Operação Marquês estão ainda a ex-mulher de Sócrates, Sofia Fava, o ex-administrador da CGD e antigo ministro socialista Armando Vara e a sua filha Bárbara Vara, Carlos Santos Silva, empresário e amigo do ex-primeiro-ministro, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista do ex-líder do PS, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma (que empregou Sócrates quando este deixou de ser primeiro-ministro), Inês do Rosário, mulher de Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro.

O Ministério Público enviou uma carta rogatória para Angola para constituir arguido o empresário luso-angolano Hélder Bataglia.

A Operação Marquês foi tornada pública em novembro de 2014, com a detenção de José Sócrates. O ex-primeiro-ministro esteve preso preventivamente quase 11 meses. Ainda não saiu a acusação.

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