BE aposta em Ricardo Robles para eleger um vereador em Lisboa

Militantes do Bloco escolheram Robles como candidato a Lisboa. A decisão foi aprovada pelo plenário de militantes e deverá ser ratificada pela distrital no fim desta semana

Nem Catarina Martins nem Mariana Mortágua. Conseguir eleger um vereador é o objetivo assumido do Bloco de Esquerda para Lisboa nas próximas autárquicas, e Ricardo Robles é o homem escolhido para lá chegar. O DN sabe que os militantes escolheram, esta noite, o líder da bancada do BE na Assembleia Municipal para avançar. Falta apenas formalizar com o visto da líder do BE, que deve ratificar o nome na reunião da distrital quinta-feira à noite, para ficar decidido qual o candidato à Câmara de Lisboa.

A opção pelo engenheiro de 39 anos, especialista em reabilitação urbana e eficiência energética, deverá ser oficialmente anunciada no sábado, numa intervenção conjunta com a líder do Bloco, na Faculdade de Medicina Dentária.

"O principal objetivo do BE em Lisboa é transformar a cidade, que tem seguido o rumo errado e tem de mudar sobretudo na habitação e na mobilidade. E isso passa, naturalmente, por ter mais representação nos órgãos da cidade, nas freguesias, na Assembleia Municipal e em particular na câmara", assumia Robles em entrevista ao DN, em novembro.

Crítico do trabalho de Fernando Medina à frente da capital - "herdou a câmara e teve necessidade de se afirmar", optando por "mostrar obra" e sujeitando "o planeamento não às necessidades [de Lisboa] mas ao calendário eleitoral", disse então ao DN - e acusando o atual presidente da autarquia de "autoritarismo", Ricardo Robles foi o rosto do pedido de abertura de inquérito à obra de requalificação da Segunda Circular, em setembro, projeto suspenso devido a "eventuais conflitos de interesses". Uma justificação que o bloquista contesta: "O processo da Segunda Circular é um caso grave da vereação de Fernando Medina. O calendário eleitoral impôs que as obras começassem imediatamente e depois, havendo incapacidade de cumprir o prazo, o processo é abortado", disse na mesma entrevista.

Quanto a prioridades para avançar na sua candidatura, passarão pela mobilidade em Lisboa e pela habitação, bandeiras que Ricardo Robles tem defendido como prioritárias para "devolver a cidade a quem quer nela viver".

Surfista, snowboarder e benfiquista, Ricardo Amaral Robles nasceu na Margem Sul há 39 anos, mas vive em Lisboa há 25, desde que veio estudar Engenharia Civil para o Instituto Superior Técnico. Deputado e líder da bancada do BE na Assembleia Municipal desde 2013, foi assessor do grupo parlamentar do Bloco entre 2012 e 2015.

PSD mantém agenda

Com a oficialização de Robles menos de um mês passado sobre a apresentação da recandidatura de João Ferreira pela CDU e depois de Assunção Cristas abrir a agenda com o anúncio de que seria cabeça de lista pelo CDS à autarquia ainda em setembro, torna-se mais pesada a ausência do PSD na corrida às autárquicas. O partido afirmou desde o início que tinha a sua agenda e não precipitaria a escolha independentemente das movimentações na restante oposição e tem seguido esse desígnio. Segundo o Expresso, a escolha do candidato social-democrata a Lisboa está nas mãos do líder do partido, Pedro Passos Coelho.

A representar o PS, é certo que avançará Fernando Medina, que já se assumiu candidato ainda que não tenha definido data para apresentar a candidatura. "Houve uma antecipação" da agenda, mas o anúncio "será feito a seu tempo", afirmou em entrevista à SIC no final de janeiro. E desvalorizou as críticas de eleitoralismo na definição das obras em Lisboa: "A oposição critica tudo e o seu contrário", disse na mesma ocasião.

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