Azeredo reivindica louros de vender tecnológica EID mantendo posição do Estado

Ministro diz confiar na continuação das sinergias da empresa especializada em comunicações militares com as Forças Armadas.

O ministro da Defesa reivindicou esta terça-feira os louros da solução que permitiu ao Estado manter direitos especiais e 20% da empresa EID, onde a inglesa Cohort é agora maioritária.

Azeredo Lopes falava aos cerca de 100 trabalhadores da EID, sedeada em Lazarim (Almada), na cerimónia que assinalou o fim de um processo iniciado pelo Governo anterior - para vender a empresa na totalidade - e que se concluiu sexta-feira em novos moldes.

O governante, que tinha estado no local em abril de 2016 - quando "os trabalhadores estavam preocupados" com o futuro da empresa - para comunicar a decisão de suspender a privatização total da EID, regressou agora à sede da empresa para dizer que o negócio agora "é melhor para a empresa, tem um formato mais dinâmico" que a solução anterior e é mais benéfico tanto para a Cohort como para os trabalhadores.

Além dos 20% do capital da EID e de nomear um administrador - o almirante Macieira Fragoso, antigo chefe do Estado-Maior da Marinha -, Azeredo Lopes referiu que o Estado conseguiu preservar a reputação externa do país e tem uma palavra decisiva nas decisões sobre o plano estratégico da empresa e na eventual mudança da sua sede.

"É uma relação muito virtuosa" a que agora ficou estabelecida com a Cohort, até porque "acredito no investimento privado" e num "grupo com qualificações e prestígio na área tecnológica", sublinhou Azeredo Lopes, destacando ainda as posições favoráveis ao negócio - 4,38 milhões de euros por 23,09% do capital - dadas pela Autoridade da Concorrência e da Unidade Técnica de Acompanhamento e Monitorização do Setor Público Empresarial (UTAM).

O ministro disse ainda esperar que a EID "continue de forma inteligente a criar sinergias com as Forças Armadas e muito em particular com a Marinha", um dos seus melhores e mais antigos clientes.

A EID é especializada em comunicações militares (navais, terrestres, táticas) e equipa as fragatas da Marinha, bem como navios das Armadas do Brasil, Espanha, Holanda, Reino Unido, Argélia, Bélgica, Austrália, Filipinas, Malásia e Indonésia.

A nível das comunicações terrestres, a EID fornece rádios e outros sistemas tecnológicos e de comando e controlo para o Exército português e de outros países, como a Alemanha, Egito, Argélia, Emirados Árabes Unidos, Paquistão, Turquia, Timor-Leste, Indonésia e Turquemenistão.

Em termos de volume de negócios, a EID obteve em 2016 e até abril deste ano um resultado de 28,3 milhões de euros, quase duplicando os valores registados em 2015 (16,5 milhões).

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