PS reconquista Matosinhos e soma pelo menos 11 de 18 municípios

O PS contabilizou esta noite a liderança em pelo menos 11 dos 18 municípios do distrito do Porto, tendo conquistado três concelhos ao PSD na região do Tâmega e Sousa e recuperado Matosinhos.

O partido perdeu, porém, o concelho de Vila do Conde, onde governava desde 1976, para a independente Elisa Ferraz. A atual autarca, eleita em 2013 pelo PS, entrou em rutura com a estrutura local do partido e avançou com candidatura própria, derrotando António Caetano, o seu vice-presidente no presente mandato e que há vários anos integrava os executivos municipais.

Com 36,36% dos votos e cinco mandatos, o PS recuperou Matosinhos, com Luísa Salgueiro como cabeça de lista, depois de um intervalo de quatro anos com Guilherme Pinto na presidência, ex-socialista que em 2013 avançou como independente e conseguiu a maioria absoluta. Guilherme Pinto morreu em janeiro, sendo substituído pelo seu vice-presidente.

Derrotado saiu Narciso Miranda, que liderou a autarquia de Matosinhos pelo PS entre 1977 e 2005 e voltou agora a concorrer como independente, conseguindo o segundo lugar e 16,19% dos votos e dois mandatos, resultado semelhante ao de António Parada, pelo Movimento de Cidadãos de Matosinhos -- SIM, que ficou em terceiro.

Com 44,21% dos votos, mais do dobro de há quatro anos, os socialistas venceram pela primeira vez a Câmara de Marco de Canaveses, que será agora liderada por Cristina Vieira. A candidata não conseguiu, porém, a maioria absoluta, elegendo quatro dos sete mandatos possíveis. O CDS, que já governou no tempo de Avelino Ferreira Torres, conseguiu eleger um mandato.

Ainda no Tâmega e Sousa, os socialistas, com Alexandre Almeida como cabeça de lista, conquistaram também pela primeira vez a Câmara de Paredes (com 50,35% dos votos e cinco mandatos) e a Câmara de Felgueiras, aqui coligados com o Livre. Os resultados neste concelho não estavam, contudo, fechados nas contas da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna às 05:30.

A esta hora aguardava-se ainda o desfecho da corrida na Maia, já no Grande Porto, um município desde sempre presidido pelo PSD. Os seis mandatos já atribuídos estavam igualmente repartidos por PSD/CDS-PP e PS/JPP, faltando ainda entregar cinco lugares do executivo.

O PS conseguiu conquistar a maioria absoluta em Valongo, Vila Nova de Gaia, Paços de Ferreira, Santo Tirso, Lousada, Baião, Gondomar, embora tenha perdido mandatos nestes dois últimos concelhos.

Em Gondomar, Marco Martins conseguiu, com 45,52% dos votos, conquistar o seu segundo mandato com maioria absoluta, embora perdendo um vereador. Em segundo lugar ficou o 'dinossauro' autárquico Valentim Loureiro, que, depois de um intervalo de quatro anos, causado pela lei da limitação dos mandatos, voltou a concorrer no município onde governou por cinco mandatos e que nestas autárquicas lhe deu 19,90% dos votos e dois mandatos.

Já em Valongo, e com mais quase 10 mil votos que em 2009, o PS reelegeu esta noite o autarca José Manuel Ribeiro, que agora conseguiu a maioria absoluta com 57,31% dos votos e seis mandatos, mais dois do que nas últimas autárquicas. Derrotados saíram a CDU, que, perdeu o seu único vereador, e o PSD, desta vez coligado com o CDS, também perdeu um.

Já o PSD manteve os resultados em Penafiel e aumentou as percentagens de voto, e número de mandatos, nos concelhos da Póvoa de Varzim, Trofa e Amarante, tendo neste último conquistado a maioria absoluta que não tinha alcançado em 2013.

Em Amarante, José Luís Gaspar (PSD/CDS) conseguiu a maioria absoluta com 55,43% dos votos e seis mandatos, mais dois do que nas últimas eleições. Já o PS, que apostou na antiga vice-presidente da câmara Octávia Clemente, baixou de 37,55% para 36,61% dos votos, perdendo um mandato.

Na Póvoa de Varzim, Aires Pereira, pelo PSD, conquistou, com 57,7% dos votos, sete mandatos, mais dois que há quatro anos, tirando um ao PS (desta vez com 19% e dois mantados) e o único que o CDS-PP tinha elegido em 2013 e em 2009.

Na Câmara do Porto, o independente Rui Moreira voltou a vencer e conquistou, com 44,46% dos votos, a maioria absoluta, com mais um mandato do que os seis conseguidos em 2013 e que então o obrigaram a um acordo com o PS durante quase quatro anos.

O acordo terminou no início de maio, levando o socialista Manuel Pizarro a anunciar a sua própria candidatura. Pizarro, porém, não conseguiu ganhar a câmara, mas, com 28,55% dos votos, conquistou mais um mandato. Com o pior resultado de sempre, o PSD, em coligação com o PPM, perdeu dois mandatos e elegeu apenas um, tal como a CDU.

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