Um quarto dos candidatos do litoral opõe-se à prospeção de petróleo e gás

Um quarto das candidaturas às câmaras do litoral comprometeram-se, até ao momento, com o combate à prospeção e exploração de petróleo e gás em Portugal, segundo a campanha 'Autarquias Livres de Petróleo e Gás'.

A campanha 'Autarquias Livres de Petróleo e Gás', que reúne 18 organizações locais e nacionais, contactou, nos últimos meses, 261 candidaturas (cerca de 80%) em 58 municípios, para conhecer "uma tomada de posição clara e sem ambiguidade" sobre prospeção e exploração de petróleo e gás, em terra e no mar, nos seus municípios.

Até ao momento, foram 81 os candidatos à presidência de municípios litorais, desde Matosinhos até Vila Real de Santo António, que se comprometeram a "tomar todas as medidas possíveis para travar iniciativas ligadas a estas atividades".

O movimento tem vindo a contactar os candidatos, apelando a que assumam publicamente (assinando um compromisso) a sua oposição à "prospeção, pesquisa, desenvolvimento e produção de combustíveis fósseis em Portugal e concretamente na autarquia" à qual se candidatam.

Entre os sinais "mais preocupantes" para a campanha 'Autarquias Livres de Petróleo e Gás' está a "ausência de qualquer compromisso" assinado nos municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Cantanhede, Espinho, Lourinhã, Mira, Monchique, Murtosa, Ourém, Peniche, Porto de Mós, São Brás de Alportel e Soure.

Recorde-se que, em julho, a Galp Energia desistiu de avançar com a pesquisa de petróleo em três das quatro concessões de prospeção 'deep offshore' que detinha na Bacia de Peniche.

Outro sinal de preocupação, segundo o movimento, está o facto de nenhum candidato da CDU (coligação que junta o PCP e o PEV, partido ecologista 'Os Verdes') ter assinado qualquer compromisso contra a prospeção e exploração de petróleo e gás em Portugal.

Por outro lado, em Aljezur, dos municípios que mais se têm oposto à prospeção e exploração de petróleo na Costa Vicentina, o atual presidente e recandidato José Amarelinho (PS) mantém a oposição à prospeção e exploração de petróleo ao largo de Aljezur, o candidato da CDU (Rogério Furtado) não assina nenhum compromisso e o candidato do PSD/CDS-PP, Hélder Cabrita, não foi contactado.

Em Vila do Bispo, o presidente e recandidato Adelino Soares (PS) e a candidata da CDU, Paula Vilallonga, são os únicos que não assinaram o compromisso do movimento 'Autarquias Livres de Petróleo e Gás', ao contrário dos restantes candidatos, que assinaram: Afonso Nascimento (PSD/CDS-PP/MPT/PPM), Fernando Cortes (independente) e Sebastião Pernes (Bloco de Esquerda).

O consórcio que integra a Galp Energia prevê avançar com o primeiro poço exploratório de petróleo na costa alentejana no próximo ano, de preferência entre abril e junho, disse o presidente executivo, Carlos Gomes da Silva.

Em conferência de imprensa, no final de julho, o presidente da Galp Energia disse que o consórcio, liderado pela petrolífera italiana Eni, tem "tudo preparado para avançar" com o furo exploratório no mar, a 46 quilómetros ao largo de Aljezur e a 80 quilómetros de Sines.

Mais recentemente, o Movimento Algarve Livre de Petróleo enviou uma carta ao secretário de Estado da Energia a solicitar que o Governo "acione o princípio precaução" e trave o processo de prospeção e exploração de petróleo ao largo de Aljezur, na Costa Vicentina.

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