"Atualmente há tantos pais rejeitados como mães"

Fundadora da European Association of Parental Alienation Practitioners, a psicoterapeuta e coordenadora parental inglesa Karen Woodall esteve em Portugal para falar da sua experiência na conciliação entre pais, na clínica que dirige em Londres.

Tem vindo a desenvolver um trabalho reconhecido na conciliação entre pais separados para evitar a alienação parental. Em que consiste?

Ao início esse trabalho foi evitado por muita gente, porque envolve crianças que dizem claramente "eu não quero ver o meu pai" ou "eu não quero ver a minha mãe". E por todo o Reino Unido eu vi casos onde há uma completa falta de interesse, e nesses casos temos que parar e pensar em como nos vamos envolver mais com esta família. Há cerca de 10 anos começámos com este projeto, a trabalhar com crianças que por vezes rejeitam passar qualquer tempo que seja com um dos seus pais, e isso requer força de vontade e um processo de aprendizagem.

Por parte dos terapeutas, também?

Sim. Por exemplo, aprendemos e contactámos imenso com outros terapeutas e psiquiatras que trabalham no Reino Unido. E começámos a produzir de certo modo oportunidades de reconciliar relações familiares que, antes de nós começarmos a trabalhar com essas pessoas, não seriam possíveis. E como alguns pais que viviam com essas crianças e ficaram com a sua custódia depois da separação tentavam evitar que a criança se relacionasse bem com o outro pai, em vez de irmos buscar as crianças a casa e levá-las a casa do outro pai, começámos a ir buscar as crianças à escola e íamos beber um chá ou algo do género, e aí sim trabalhávamos com o pai e a criança que não se relacionavam bem.

Ou seja, fora do ambiente habitual?

Exato. Entretanto para conseguirmos fazer cada vez melhor esse trabalho, criámos mais e melhores relações com peritos internacionais ligados à área. E cada vez conseguimos notar mais a diferença entre uma criança que não se relaciona com um pai - pois este ou esta realmente magoou a criança - ou quando uma criança não se relaciona com um pai por influência do outro. Porque há situações em que uma criança rejeita um dos pais com justificação, nomeadamente se este pai já a magoou de algum modo, física ou psicologicamente.

Acha que os problemas financeiros podem influenciar o comportamento de alguns pais?

Talvez. Curiosamente muitas pessoas diriam que a maioria dos pais (de que falamos) são na realidade mães. E atualmente há tantos pais rejeitados pelos filhos com há mães, se bem que as mães sentem um bocado mais a vergonha de serem rejeitadas.

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