Assunção Cristas também escreve a Juncker. Sanções seriam "rude golpe"

Líder do CDS escreveu ao presidente da Comissão Europeia para sublinhar que aplicação de sanções seria "injustiça flagrante" para Portugal

A líder do CDS-PP enviou hoje uma carta ao presidente da Comissão Europeia a reiterar a oposição do partido à aplicação de sanções a Portugal, salientando que o país "não deve ser alvo de uma injustiça flagrante".

Na carta, a que a agência Lusa teve acesso, Assunção Cristas sublinha que a "aplicação de sanções a Portugal só pode contar com a oposição pública dos 'populares', que entende ser "coerente e consequente com o posicionamento do CDS-PP a favor de uma Europa onde todos os países e cidadãos se sintam parte ativa de um projeto comum de paz, desenvolvimento e solidariedade".

"Senhor Presidente, Portugal é um Estado-membro da União Europeia de corpo inteiro, e assim quer continuar a ser, e, por isso mesmo, não deve ser alvo de uma injustiça flagrante como esta", declara.

Na carta enviada a Jean-Claude Juncker, Assunção Cristas sublinha que a oposição do CDS-PP às sanções anunciadas não constitui qualquer adesão às políticas do atual Governo, lembrando que "se a França teve dois anos suplementares, não se compreende como senhores comissários como [Pierre] Moscovici estão agora na linha da frente da condenação a Portugal".

A Comissão Europeia poderá tomar hoje uma posição, em Estrasburgo, sobre os Procedimentos por Défice Excessivo (PDE) a Portugal e Espanha, cerca de mês e meio após ter adiado uma decisão sobre eventuais e inéditas sanções aos dois países.

Na carta enviada a Jean-Claude Juncker, Assunção Cristas lembrou que o partido tem "sublinhado publicamente a necessidade de o atual Governo dar garantias firmes de que irá cumprir as metas fixadas no quadro do Orçamento do Estado e do Programa de Estabilidade".

A líder do CDS-PP considerou também que, "num momento em que a Europa se divide e perde a sua segunda economia (referendo no Reino Unido para saída da UE), todos os que continuam a acreditar no projeto europeu precisam que a Comissão dê sinais claros de união".

No entender da dirigente política, no "atual contexto europeu, em que se espera um espírito criativo e de aproximação dos cidadãos, e perante uma população que ultrapassou uma das mais graves crises da sua história, a aplicação de sanções constituirá um golpe rude no sentimento europeu que tem sido maioritário em Portugal".

Na missiva enviada a Juncker, a líder do CDS diz que a oposição do partido às sanções assenta em três pontos.

"Em primeiro lugar, não se justificam eventuais sanções, nem no plano técnico, nem no plano político", escreve, lembrando que o anterior Governo, ao qual pertenceu, deixou o país com um défice que não atingiria os 3%.

De acordo com a líder popular, tal só foi possível com uma política orçamental e fiscal rigorosa, de resto, acompanhada de perto pela comissão, e a disponibilidade assinalável da população portuguesa para suportar os sacrifícios pedidos às famílias e às empresas.

Assunção Cristas justificou também a oposição do partido, considerando que, se ocorreram sanções, estas "serão manifestamente incompreendidas pelo povo português, que passou por anos difíceis de ajustamento e sacrifícios".

"Se é verdade que temos dúvidas profundas sobre o rumo escolhido pelo atual Governo, também é certo que a Comissão Europeia tem os instrumentos para acompanhar a ação deste Governo e prevenir atempadamente, na medida das suas competências, os desvios que coloquem em causa o cumprimento das regras pactuadas no seio da União Europeia", sublinha.

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