Assunção Cristas pronta para interromper o filme do Governo

Candidata à liderança do CDS iniciou em Leiria a volta a Portugal em contactos com os diversos distritos, onde vai recolhendo contributos para a moção que levará ao Congresso

Se houvesse uma corrida aos óscares na vida política portuguesa, Assunção Cristas acredita que o primeiro-ministro e o ministro da Economia seriam nomeados para o prémio de "melhor ficção", saindo vitoriosos com este Orçamento de Estado. Foi isso mesmo que disse em Leiria, ontem à noite, perante uma plateia de 200 militantes e simpatizantes do CDS, naquela que foi a primeira paragem da volta a Portugal em contactos com os diversos distritos, onde a ex-ministra vai recolhendo contributos para a moção que levará ao Congresso, em Março. É o que acontecerá nas noites desta quarta-feira, em Lisboa (na sede nacional do partido) e de quinta, em Setúbal. E assim, enquanto soma subscritores da moção "Unidos para Crescer", Cristas vai fazendo novos militantes para o partido, como aconteceu em Leiria, distrito pelo qual foi eleita deputada à Assembleia da República.

"Precisamos de crescer", disse várias vezes a candidata, certa de que só assim o partido poderá "consolidar uma alternativa", fazendo caminho na orla do centro-direita. A ideia é "interromper este filme" de um governo apoiado naquilo a que chama "as esquerdas mais radicais" do parlamento. Mas se por um lado a antiga ministra da Agricultura arrasa a forma como chegámos a este "novo ciclo da vida política", por outro está pronta a tirar partido do tempo novo de António Costa, "o primeiro-ministro que perdeu as eleições" (como nãos e cansa de sublinhar, lembrando como o CDS sofreu na pele essa mudança constitucional que não foi explicada). Como? Acabando com a ideia do "voto útil". Se é certo que tantas vezes, na rua, os cidadãos lhe manifestavam simpatia, mas na hora de votar escolhiam outro partido (o PSD, subentende-se), "a vantagem, agora, é que a lógica do voto útil desapareceu". Como se fora um mal que veio por mal, essa mudança na aplicação da Constituição acabou por dar o tiro de partida ao CDS, que agora se quer revelar "uma oposição arguta, eficaz, de certa maneira acutilante, mas também construtiva", por forma a chegar em primeiro na hora de interromper o filme, como diz Assunção Cristas.

Quando, ao final da noite - enquanto a candidata segurava com cuidado um ramo de rosas vermelhas que a plateia lhe ofereceu - o DN lhe perguntou se o CDS está preparado para assumir o papel principal, ou se prefere continuar como ator secundário, em coligação, a candidata foi clara: "o partido trabalhará para que os portugueses lhe reconheçam a dignidade de ator principal. Está motivado para isso".

De resto, por estes dias não faltam motivação nem algumas certezas a Assunção Cristas, para quem o resultado das eleições presidenciais de domingo último têm outra leitura: "a vitória clara e inequívoca" de Marcelo Rebelo de Sousa terá recentrado a discussão política, com uma mensagem do povo português, "que não gosta de ver a esquerda toda junta". Sendo assim, Cristas acredita que o CDS "tem tudo a ganhar com este sentido de voto", seguindo viagem para as eleições nos Açores, e depois para as autárquicas de 2017. Entretanto, descreve o filme do Orçamento de Estado, protagonizado pelo Governo do PS: "Parece uma ficção no cenário macroeconómico. Parece uma receita igual à que já conhecemos: 'pode ser que dê'. Mas, na verdade, quando olhamos para as entidades internacionais e para as agências, o que dizem: 'cuidado, é excessivamente otimista, não é realista, não é fidedigno', então podemos estar a ver um filme que já conhecemos muito bem".

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