Apoiantes de Maria de Belém reforçam ataques a Nóvoa

Depois de Manuel Alegre, ontem,Vera Jardim, hoje. Sampaio da Nóvoa voltou a estar no centro das críticas dos históricos do PS que apoiam Maria de Belém.

"Chateia-me que digam que sou a direita do PS. E que apoio uma candidatura facciosa. Então as e duas coisas juntas não aturo mesmo."

Sem meias palavras, Vera Jardim fez hoje da candidatura de Sampaio Nóvoa o alvo principal das suas palavras, ao discursar num almoço-comício de Maria de Belém, em Fafe. Sendo embora oficialmente porta-voz da candidata, Vera especificou estar a falar apenas a "título pessoal" - mas depois Maria de Belém disse que se revia inteiramente nas suas palavras.

O histórico socialista recordou, por exemplo, que esteve pela esquerda do partido em 2004, ao lado de Manuel Alegre (e da própria Maria de Belém), contra a primeira candidatura (que venceria) de José Sócrates a líder do PS. "Onde é que estavam então as pessoas que agora acham que esta candidatura é a direita da esquerda?", perguntou.

Vera Jardim aproveitou também para insistir numa nota já ontem à noite lançada por Manuel Alegre: a de que Nóvoa se está a "colar" ao "tempo novo" da solução de esquerda que apoia o Governo do PS. Sublinhando, várias vezes, que apoia essa solução, ressalvou no entanto que o exercício do cargo de Presidente da República "tem de estar acima disso e para lá disso". "Uma candidatura que se cola ao tempo novo não representa todos - é uma candidatura de circunstância."

Também tal como Alegre, Vera Jardim pôs em causa que a direção do PS esteja efetivamente a ser neutra perante as candidaturas de Nóvoa e Belém. Na verdade, sugeriu, está a trabalhar para a do ex-reitor. "Eu não estou muito confortável com o que vejo. Tenho receio de que haja alguma batota. Todos sabem do que estou a falar."

A manhã da candidata começou em Valongo, com uma visita à feira local guiada pelo presidente da câmara, o socialista José Manuel Ribeiro.

Num dia tão frio quanto soalheiro, Maria de Belém foi recebida genericamente com simpatia e cordialidade: "as pessoas estão a ser espontâneas. Em termos de rua é muito natural o meu contacto com as pessoas."

Ouviu queixas variadas, nomeadamente sobre problemas com a Segurança Social, uma das quais particularmente dramática, de uma mãe com um filho esquizofrénico.

"As pessoas estão sob uma grande tensão e precisam de falar, precisam de expor as coisas que as amarguram." Só que "é natural que as pessoas confundam [os poderes dos órgãos de soberania]" porque "há problemas que se resolvem com o Governo e outros com as autarquias".

Assim, num Presidente o importante "muitas vezes é escutar porque muitas vezes as pessoas não conseguem sequer ser ouvidas, não conseguem chegar aos departamentos que resolvem os problemas. "O serem escutadas, o terem uma palavra de conforto, isso é muito importante para os cidadãos", disse.

A candidata assumiu também que que vê o cargo presidencial como uma espécie de provedor dos cidadãos. "O PR tem sempre esse papel. O Provedor é aquele que provê, que vê a favor de qualquer coisa. Esse papel deve ser desempenhado pelo PR."

"Conhecendo a máquina da Administração Pública como conheço, e estou a falar em situação de intervenção meramente informal, não posso deixar de pressionar no sentido da defesa das pessoas", disse, recordando também que conhece "muita gente em posição de decidir"

Neste aspeto, reconheceu razão a quem se queixa de uma postura muito restritiva da Segurança Social na atribuição de prestações por invalidez. "Devemos identificar os abusos, acho que se exagerou a chumbar pensões por incapacidade", acusou. Salientou porém logo de seguida que na relação com o Estado as pessoas também "têm deveres, e o dever principal é não querer aceder as coisas a que não têm direito".

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