Apelo de Silva Peneda em saco roto. "Apoio do PSD foi afastado"

Sociais-democratas unidos em torno de decisão do líder, recusam responsabilidades no chumbo da descida da taxa social

Não há brecha alguma na muralha social-democrata na recusa do PSD em estender a mão ao Governo socialista para fazer vingar a baixa da taxa social única (TSU) e nem o apelo lançado ontem nas páginas do DN por Silva Peneda, antigo ministro do Emprego e da Segurança Social dos governos maioritários de Cavaco Silva, encontrou disponibilidade junto do PSD.

Silva Peneda desafiou o presidente social-democrata a recuar na sua decisão em votar "contra um dos pontos do acordo celebrado em sede de concertação social" porque esta "fere muito gravemente a identidade do PSD e atenta contra o seu património". O ex-presidente do Conselho Económico e Social acrescentou que "é sabido que quando se começa a alienar património, normalmente o que se segue é a falência".

O antigo ministro da Segurança Social Fernando Negrão (que esteve na pasta de 2004 a 2005, no executivo de Santana Lopes), hoje deputado social-democrata, não tem dúvidas que esta é uma "questão política", remetendo qualquer questão para a maioria de esquerda. "Temos um Governo com apoio parlamentar maioritário", disse o deputado ao DN, referindo-se às posições conjuntas assinadas pelo PS com BE, PCP e PEV.

Fernando Negrão recusou que o ónus do acordo de concertação social eventualmente falhar seja imputado aos sociais-democratas. "O apoio do PSD foi sempre afastado", justificou, "parecia que não era bem-vindo". E questionou-se "porque é que agora é tão requisitado". A resposta mora na chamada geringonça, que tropeçou na sua engrenagem: BE, PCP e PEV estão contra a descida da TSU para os empregadores e querem apreciar no Parlamento essa redução. O PSD anunciou que acompanharia a esquerda nesse voto contra. E o PS acusou Passos Coelho de estar a pôr em causa o acordo obtido em sede de concertação social.

Mais uma vez, Fernando Negrão apontou o dedo ao executivo de António Costa. Para o antigo ministro, o PSD "continua a dar importância" aos entendimentos entre os parceiros sociais. "Quem nunca deu importância e continua a não dar foi este Governo", acusou. O PS e os seus parceiros de esquerda "fizeram muitos acordos à revelia" da concertação social, "ao longo do último ano". Para enxutar de novo qualquer responsabilidade: "Não é agora que vêm pedir um apoio que [os socialistas] sempre negaram."

Para Fernando Negrão, não faz sentido em voltar atrás. "Os especialistas em reversões, não é o PSD. E se um líder político e um partido afirmam uma posição é porque está ciente dela e confiante na posição que assumiu. Não vejo que haja circunstâncias ou razões posteriores à tomada de decisões que levem a essa reversão."

Passos não conta só com a sua bancada. Também o antigo deputado José Eduardo Martins disse ao Público que "enquanto eleitor do PSD" sente-se "muitíssimo representado na posição que o PSD tomou". "O dr. Pedro Passos Coelho tem toda a razão. Fez muito bem [em assumir-se contra a redução da TSU] e não podia fazer de outra maneira", completou.

Quem também alinhou nas críticas foi o CDS mas com uma posição mais prudente na hora do voto. A líder centrista antecipou a abstenção das apreciações parlamentares da TSU.

Assunção Cristas garantiu que "o CDS não está do lado do PCP e do Bloco de Esquerda", mas que "há um acordo na concertação social que deve ser valorizado". Avançando novas propostas, disponibilizou-se a "repor o equilíbrio". "Vamo-nos abster. Não estamos do lado do Governo, mas entendemos que faz sentido proteger aquilo que é o acordo de concertação social", apontou Assunção Cristas, na SIC-N.

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