António Costa e uma remodelação 'despacito'

Não há pressas em completar a remodelação. A posse dos novos secretários de Estado só vai ser marcada depois de o Presidente da República regressar do México

O primeiro-ministro vai enfrentar o plenário da Assembleia da República e o debate do Estado da Nação, amanhã à tarde, sem ter completamente fechada a remodelação de secretários de Estado. Ao que o DN conseguiu confirmar, António Costa não conferiu carácter de urgência a este processo - encontrar nomes para substituir os secretários de Estado demissionários e marcar a cerimónia de posse em Belém - e vai dedicar os próximos dias à gestão de outras crises. A posse dos novos membros do governo, num número exato de entradas e saídas ainda incerto, só está programada para depois de dia 19, quarta-feira da próxima semana, quando Marcelo Rebelo de Sousa regressar a Lisboa no final de uma visita oficial de três dias ao México.

Protocolarmente, ao que garante uma fonte da Presidência, uma cerimónia de posse de secretários de Estado pode ser marcada "de um dia para o outro", mas Costa tem, por agora, outros temas com que se preocupar.

No imediato, já esta tarde, o assunto mais urgente e que vai mobilizar as atenções de António Costa e do ministro da Defesa é a "segurança das instalações militares", com uma reunião alargada na residência oficial do primeiro-ministro. É apenas uma das crises que António Costa tem para gerir depois das suas férias - o assalto aos paióis nacionais de Tancos -, numa altura em que a investigação ainda não produziu resultados palpáveis e num tempo que ainda é de instabilidade e gestão de sensibilidades entre as chefias militares e a relação destas com a tutela de Azeredo Lopes. Antes e depois desse encontro e até amanhã às 14.30, o círculo mais íntimo de decisão e de coordenação política do governo tem uma única missão - a preparação do debate do Estado da Nação.

O confronto com a oposição, que marca o fim da sessão legislativa, é sempre um momento de balanço para o governo e uma última oportunidade de ataque antes das férias, neste caso para quem se senta nas bancadas mais à direita. O executivo chega a este debate fragilizado, depois de ter atravessado os seus primeiros sérios momentos de crise - 64 mortes no incêndio de Pedrógão Grande e o assalto aos Paióis Nacionais de Tancos. Depois das últimas semanas carregadas de péssimas notícias e de gestão política bastante complexa, com dois casos que ameaçam arrasar a narrativa de boas notícias nas frentes económica e financeira com que o governo vinha navegando até meio de junho, António Costa está a encarar o movimento de saída e substituição de alguns secretários de Estado como o menor dos males. No círculo de aconselhamento do primeiro-ministro acredita-se que esse será certamente tema para a sessão parlamentar de amanhã, mas não será "O" assunto que irá marcar o debate do Estado da Nação.

Passado esse momento de teste ao governo, já na quinta-feira, é provável que sejam comunicados os nomes dos outros secretários de Estado que vão abandonar o governo. Tal como o DN tinha avançado ontem, a remodelação será alargada para lá dos três nomes já conhecidos - Rocha Andrade, João Vasconcelos e Jorge Costa Oliveira. Nos contactos desenvolvidos até ao fecho desta edição não conseguimos confirmar o nome ou o número exato de saídas. Sabemos apenas que são membros do governo que já tinham sinalizado a vontade de abandonar o executivo, seja por cansaço ou por motivos profissionais. Uma garantia que foi reforçada, pelas fontes contactadas pelo DN, é a de que esta remodelação será restringida a secretários de Estado, ficando a salvo a ministra da Administração Interna e o ministro da Defesa.

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