"Antes quebrar que torcer." Deputados do PS jantam com 600 pessoas

Ferro Rodrigues elogia "novo tempo político" num jantar-comício. E as "primeiras palavras e gestos" de Marcelo, "bom indicador" para "clima político menos tenso"

"Antes quebrar que torcer", disse das gentes que estão para cá do Marão o presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Rui Santos, no jantar das jornadas parlamentares do PS que juntou... 600 pessoas num restaurante dos arredores da cidade, na localidade de Arroios. Uma surpresa, antecipou a organização aos jornalistas, que parece ter surpreendido também os deputados. "Disseram-me para vir dizer umas palavras aos deputados e afinal vim falar a centenas e centenas de pessoas", notou o presidente da Assembleia da República.

Eduardo Ferro Rodrigues notou que se vivem "novas circunstâncias" também pelos partidos à direita. "As mudanças de liderança no CDS e de posicionamento ideológico anunciadas pelo PSD são já o prenúncio de que este novo tempo político veio para ficar e que a partir daqui nada voltará a ser como dantes."

Para este tempo novo, que António Costa tanto tem falado, Ferro Rodrigues conta com o Chefe de Estado eleito. "A eleição do novo Presidente da República, a forma como decorreu a campanha, as primeiras palavras e os primeiros gestos do professor Marcelo Rebelo de Sousa são um bom indicador de que voltaremos a ter em breve um clima político menos tenso e mais dialogante entre todos os principais órgãos de soberania."

O presidente do Parlamento não deixa a coisa por menos: "E bem precisamos disso." Afinal, "o Presidente da República, eleito por sufrágio universal, tem o poder da palavra e da influência. Quando consegue estar bem sintonizado com o povo, pode ser um mobilizador de energias e pode contribuir para as convergências estratégicas necessárias".

No jantar-comício (com quatro discursos), próprio de campanhas eleitorais, o líder parlamentar do PS, Carlos César, elogiou mesmo "a capacidade e a mobilização que o PS tem neste distrito e que o PS necessita em todo o país". E o socialista deixou um louvor à "energia" dos 600 presentes que "é bem necessária". Por oposição aos "políticos portugueses" que, lá foram "não se poupam" a críticas ao Governo.

Quatro meses após as legislativas, as máquinas partidárias continuam na estrada em jeito de campanha eleitoral. No caso do PS, a explicação do Orçamento do Estado aos portugueses tem sido mote nas últimas semanas, estratégia em que também se enquadra o encontro dos deputados socialistas, que este sábado termina com as intervenções (melhor dito: explicações) dos ministros das Finanças, Mário Centeno, e da Economia, Manuel Caldeira Cabral. E também do primeiro-ministro, António Costa, que é esperado amanhã em Vila Real vindo de Bruxelas, para o fecho das jornadas parlamentares.

Outra surpresa foi o elogio a... José Sócrates. Num elogio ao investimento público feito na região, de 2005 a 2011, Rui Santos recordou que o Governo era "então liderado pelo camarada José Sócrates". E a sala dispensou aplausos a um dos seus, que tem raízes no distrito.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG