Mal estar do BE com o PS marca terceiro OE da 'geringonça'

Versão final do OE2018 teve os votos a favor de PS, PCP, BE, PEV e PAN, mas o Bloco ficou furioso com "cambalhota" na energia

"Deslealdade", "subserviência" - um "governo que não honrou a palavra dada." Estas foram algumas das expressões usadas esta tarde pela deputada do BE Mariana Mortágua para qualificar a atitude do PS face a uma proposta bloquista que criava uma taxa a pagar pelas empresas do setor das energias renováveis.

Na sexta-feira, na votação em comissão da proposta, os socialistas votaram-na favoravelmente - e esse sentido de voto foi decisivo para a aprovar. Mas logo a seguir chamaram o artigo para uma segunda votação no plenário (avocação), começando aqui os bloquistas a suspeitar que o PS iria dar o dito por não dito.

Esta tarde confirmou-se mesmo esse dito por não dito: o PS votou contra, ditando o chumbo da proposta (o CDS também votou contra, o PSD absteve-se e os restantes partidos votaram a favor).

O tema ocupou portanto o essencial do discurso de Mariana Mortágua no encerramento do debate do OE 2018. Aconteceu algo "inédito", disse a deputada: "o Governo não honrou a palavra dada". E isso aconteceu por "subserviência" aos interesses das empresas eléctricas.

A fúria bloquista com os socialistas não levou porém o partido a mudar o sentido de voto que já tinha anunciado para o OE 2018: ao fim da tarde a proposta de lei foi aprovada, pela conjugação dos votos favoráveis do BE com os do PS, PCP, PEV e PAN. PSD e CDS votaram contra.

As críticas de Mortágua suscitaram, no plenário, uma resposta implícita do PS. "Este não é, apenas, um Governo do PS. Mas não é tão pouco um Governo refém de qualquer empresa como de qualquer partido", disse Carlos César. E repetiu: "[Não é refém] de qualquer partido, por mais persuasivo ou loquaz que um ou outro queira parecer."

Os partidos à direita não exploraram o caso. O PSD fez avançar o seu ainda líder Pedro Passos Coelho - naquela que terá sido, porventura, uma das suas últimas intervenções de fôlego no Parlamento.

Passos insistiu no seu argumentário habitual: é uma "mentirela" a ideia de que já não há austeridade. E o crescimento económico acontece não por causa do Governo mas "apesar" do Governo e sendo empurrado por forças que o PS sempre desvalorizou. Enfim: esta é "uma legislatura perdida do ponto de vista da preparação do futuro".

Já o CDS apresentou Ana Rita Bessa, a qual insistiu que o seu partido continua comprometido com a ideia de criar "uma alternativa" a este Governo. A deputada insistiu também na ideia de que o "gradualismo" que o Governo revela não resulta de "prudência" mas sim de "calculismo político" eleitoral.

Quanto ao PCP, insistiu na habitual exigência junto dos socialistas para que façam "opções de fundo" no sentido de romper com os constrangimento ditados pela UE.

Leia o "minuto a minuto" deste debate:

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