800 alunos portugueses vão estudar em universidades britânicas

Em oito anos, mais de 2000 alunos estudaram com propinas financiadas. Muitos fazem ano zero, sem terem concluído 12.º ano

"Chumbaste? Não fiques preso no 12.º ano." A proposta é apelativa e convida jovens a entrar já numa universidade no Reino Unido e fazer o ano zero que lhe vai permitir frequentar aí o ensino superior com financiamento a 100%. Mas a oferta da OK Estudante tem limitações: os jovens só podem ter deixado duas ou três cadeiras por fazer. Esta é mais uma das modalidades à disposição dos portugueses que querem estudar no Reino Unido. Entre licenciatura, mestrado e ano zero, em setembro cerca de 800 alunos portugueses vão iniciar estudos em terras de sua majestade.

A empresa que trabalha em exclusivo com o mercado universitário do Reino Unido já enviou, em oito anos, "mais de 2000 estudantes com propinas financiadas", aponta Raimundo Sousa, diretor-geral da OK Estudante. Existem outras empresas, como a Information Planet, mas não indicam quantos alunos vão para este destino. "O Reino Unido é o segundo destino mais popular" entre os 1200 estudantes enviados no ano passado, foi a única informação avançada.

À oferta das licenciaturas, junta-se a oportunidade de entrar no ano zero para os jovens que não conseguiram concluir o secundário, que têm médias mais baixas, que querem mudar de área ou têm um nível de inglês baixo. Estas ofertas estão disponíveis "em quatro das 30 universidades nossas parceiras".

Uma dessas instituições é a London Brunel International College (LBIC), que destaca nos alunos portugueses "a capacidade de interação com os outros alunos e a atenção aos estudos". Aqui e nas outras três universidades, os alunos podem inscrever-se no foundation year (ano zero), "e fazer os exames de admissão na OK Estudante", explica o responsável. O ano zero permite aos alunos estar "integrados no campus da universidade, com aulas de inglês no primeiro semestre e aulas de preparação do curso no segundo".

As inscrições para o próximo ano letivo no ano zero e outros graus nas universidades parceiras ainda estão disponíveis até ao final deste mês. Para as outras instituições, já está a decorrer o processo para as entradas em setembro de 2017. "Podemos colocar alunos em qualquer uma das 700 universidades do Reino Unido, mas nas parceiras temos algumas vantagens."

486 euros para o processo

Aconselhamento, inscrição, realização de exames de inglês e de admissão, orientação na escrita da carta de motivação, pedido de financiamento, workshops de preparação para a vida no Reino Unido e duas visitas ao campus são os serviços incluídos na oferta da OK Estudante, por 486 euros. "A nossa preocupação é sempre encontrar as melhores oportunidades e facilidades para os estudantes", aponta Raimundo Sousa.

No Reino Unido a taxa de colocação dos licenciados atinge os 90% ao fim de seis meses e se regressarem a Portugal têm a possibilidade de ter um salário 20% mais alto. Ótimas perspetivas que em ano de brexit podiam ser desviadas para segundo plano. "Pelo contrário. Aumentaram as dúvidas, sim. Mas as pessoas chegaram à conclusão de que se querem aproveitar é agora. O financiamento é para quatro anos, ou seja, como o curso é de três fica coberto o ano zero ou um ano em caso de chumbo. Assim entram no sistema e podem continuar os estudos mesmo depois do brexit."

O plano de financiamento estatal prevê o reembolso das propinas (cerca de dez mil euros/ano) depois de os alunos estarem a ganhar cerca de 2300 euros por mês e apenas nos anos em que atingir esse valor. De fora destas facilidades fica o alojamento. Muitos conseguem ficar nas residências e a grande maioria arranja emprego para fazer face a essas despesas, aponta Raimundo Sousa. "No Reino Unido o normal é que todos trabalhem e há muitas oportunidades para estudantes", assegura.

Ligados na app OK Buddy

Além disso, podem pedir ajuda à rede de alunos que já estão lá. "Temos uma aplicação, a OK Buddy, que os põe todos em contacto. Vamos agora alterar a app para saberem se estão a falar com um novato ou com alguém que já está lá há um, dois ou três anos."

Apesar dos serviços da empresa acabarem quando o jovem chega à universidade, há a preocupação de que "ninguém vai sozinho". E depois, se os alunos quiserem mudar de curso ou de universidade, os conselheiros voltam a ajudar.

Trabalham na OK Estudante 22 pessoas, das quais cinco conselheiros de estudantes. Estes têm de ter experiência de vida no estrangeiro (tal como os restantes funcionários), fazem formação uma vez por semana e visitam universidades no Reino Unido uma vez por mês.

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