Precários juntam-se a celebrações para "reivindicar direitos que não têm"

Para assinalar o Dia do Trabalhador, a associação Precários Inflexíveis realizou em Lisboa uma concentração que antecedeu a manifestação da CGTP

A associação Precários Inflexíveis assinalou hoje, em Lisboa, o Dia do Trabalhador com uma concentração no Largo do Intendente, que antecedeu a manifestação da CGTP-IN, para "reivindicar direitos" que profissionais como bolseiros, formadores e amas "não têm".

"Os precários associam-se a esta iniciativa porque o 1.º de Maio é o dia dos trabalhadores e os precários, apesar de o serem, também são trabalhadores, que reivindicam direitos que não têm", disse à agência Lusa Nuno Mendes, responsável dos Precários Inflexíveis.

Este responsável notou que, "apesar de [este] ser um dia de festa, é, à semelhança de todos os outros dias do ano, um dia de reivindicação, mais assertiva até, desses direitos que faltam".

Na concentração, onde foram colocadas placas com várias frases de ordem para pôr fim à precariedade, estavam também outras organizações representativas, nomeadamente de profissões com precários.

Bolseiros é uma forma dessa precariedade. Temos também outros grupos, como formadores, amas, há todo um universo de formas de explorar trabalhadores

Nuno Mendes explicou que a associação Precários Inflexíveis acaba "por ter contacto com outras realidades de precariedade, até porque a precariedade é muito criativa e inventiva".

"Bolseiros é uma forma dessa precariedade. Temos também outros grupos, como formadores, amas, há todo um universo de formas de explorar trabalhadores", apontou, aludindo aos que estavam presentes no Largo do Intendente.

De acordo com o responsável, "no mundo ideal deixaria de existir necessidade" de haver associações como esta.

Porém, "acredito que isso não irá acontecer", admitiu Nuno Mendes, assegurando que os Precários Inflexíveis irão continuar, nesta e outras ocasiões, a "reivindicar não só todas as promessas do Governo, como a integração dos precários no Estado, mas também uma implementação mais justa do novo regime de descontos dos recibos verdes para a Segurança Social e outras medidas".

Sob o lema "lutar pelos direitos, valorizar os trabalhadores", no 1.º de Maio, a intersindical liderada por Arménio Carlos, a CGTP-IN, tem previstas manifestações, concentrações, convívios e iniciativas culturais, desportivas e lúdicas em várias cidades do país

A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP-IN) comemora hoje o Dia do Trabalhador com manifestações e festividades em cerca de 40 localidades do país, enquanto a União Geral de Trabalhadores (UGT) centra a celebração em Figueiró dos Vinhos, uma das localidades mais afetadas pelos incêndios de 2017.

Sob o lema "lutar pelos direitos, valorizar os trabalhadores", no 1.º de Maio, a intersindical liderada por Arménio Carlos, a CGTP-IN, tem previstas manifestações, concentrações, convívios e iniciativas culturais, desportivas e lúdicas em várias cidades do país.

As comemorações deste ano do 1.º de Maio lembram os 132 anos dos acontecimentos de Chicago, que levaram à criação do Dia do Trabalhador. Naquela data foi realizada uma ação de luta pela redução da jornada de trabalho para as oito horas, que foi reprimida com violência pelas autoridades dos Estados Unidos, que causaram a morte a dezenas de trabalhadores e condenaram à forca quatro dirigentes sindicais.