18 novas drogas encontradas nas cadeias portuguesas
De sete novas substâncias psicoativas que tinham sido detetadas nas prisões em 2007 passou-se para mais do dobro em 2014, reflexo também da tendência fora das cadeias
As "drogas da moda" estão a passar os muros das prisões, refletindo a tendência que já existe no mundo exterior do consumo de novos opiáceos e químicos. De sete substâncias novas identificadas em 2001 e em 2007 nas cadeias, passou-se para 18 em 2014.
Tratam-se de outros estimulantes que não a cocaína ou os clássicos "cogumelos": são alucinogéneos novos, metadona e buprenorfina (derivado de morfina) consumidas sem receita médica e ainda novas substâncias a imitar o efeito de drogas ilícitas - como as que se vendiam nas proibidas smart shops - e esteróides. O fenómeno e a descrição das novas drogas constam do Inquérito Nacional sobre Comportamentos Aditivos em Meio Prisional, ontem divulgado, que compara dados de 2001, 2007 e 2014.
Uma das substâncias que pode facilmente entrar numa cadeia (embora entre pouco), escondida nas meias, nos bolsos, no forro de um casaco, é a ketamina, o anestésico para cavalos que se julgou inicialmente ter causado a intoxicação de oito reclusos da cadeia de Castelo Branco em abril deste ano. As análises revelaram apenas a presença de canabinóides no que terá sido um caso de combinação de substâncias numa mistura perigosa. São várias as formas de levar estupefacientes, dos clássicos aos novos, para o interior das cadeias. Um dos métodos a que mais recorrem os reclusos é usar as namoradas ou familiares que servem de "correios de droga", transportando as substâncias dissimuladas na roupa ou nos órgãos genitais no horário das visitas.
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Também no interior dos alimentos é possível esconder estupefacientes que nem sempre são detetados pelos raios x dos pórticos de controlo das cadeias. O questionário que indica estes novos consumos foi feito a 20% da população reclusa de 13.343 presos (em setembro de 2014), o que correspondeu a 2749 reclusos inquiridos.
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