José Silvano sem "medo de nada nem de ninguém" promete união no PSD

Nome escolhido por Rio para secretário-geral foi recebido com surpresa, mas não deverá suscitar a oposição do Conselho Nacional

A escolha do novo secretário-geral do PSD, o ex-autarca e deputado José Silvano, apanhou de surpresa as hostes sociais-democratas, mas não deverá esbarrar na oposição do Conselho Nacional do partido. O nome escolhido por Rui Rio para suceder a Feliciano Barreiras Duarte terá ainda de passar pelo crivo do órgão máximo entre congressos do PSD - onde o presidente social-democrata não tem maioria. Mas, ao contrário de outros nomes que estiveram em cima da mesa, José Silvano não desperta particular antipatia entre os setores mais hostis a Rio.

Um cenário que não terá sido alheio à escolha do presidente do PSD, dado que outros nomes que eram falados para o lugar, como o vice-presidente da bancada Adão Silva ou o vogal da Comissão Política Maló de Abreu, arriscavam-se a uma votação "à Negrão" no Conselho Nacional - o primeiro é apontado na bancada como um dos protagonistas do polémico processo de eleição da nova liderança parlamentar; o segundo foi um dos dirigentes do partido que visou publicamente os deputados críticos de Negrão, o que lhe granjeou pouca simpatia fora do círculo de Rio.

Já José Silvano é apontado por fontes sociais-democratas como "muito discreto" e, também por isso e pela carreira de sucesso como autarca, com "alguma empatia com o partido". Mas, ainda assim, a escolha não deixa de merecer reparos entre os sociais-democratas, como um parlamentar que questiona "onde está a tão propalada renovação" prometida por Rio.

Ontem, José Silvano veio afirmar que "como bom transmontano", não tem "medo de nada nem de ninguém" - o que inclui a ratificação do seu nome no Conselho Nacional do partido, em data ainda a determinar. Silvano garante que aceitou o convite de Rio com "a única prioridade de unir o partido".

E prometeu "trabalhar para apoiar o líder e o PSD a ganhar as próximas eleições legislativas, europeias e regionais"."A boa fé com que entro para este cargo e aquilo que me motiva para o exercer - já fiz tudo na vida, não tenho mais nenhuma motivação - é só um objetivo: mostrar aos militantes e dirigentes do PSD que, com trabalho, com provas dadas, com sujar as mãos no terreno e não com intrigas, se consegue pôr os militantes e os dirigentes num único caminho, ganhar as próximas eleições", afirmou o antigo autarca de Mirandela, em conferência de imprensa na sede do PSD. "É isso que eu sei fazer: concretizar, ajudar, resolver e pouco falar, é esse o meu perfil. Com isso ganhei eleições", acrescentou ainda, citado pela Lusa. José Silvano foi presidente da Câmara de Mirandela entre 1996 e 2012.

Castro Almeida no parlamento

Hoje, o vice-presidente do partido, Manuel Castro Almeida, estará no parlamento para uma reunião com os deputados, dedicada ao tema dos fundos europeus - dossier que o dirigente social-democrata está a negociar com o governo. No encontro estará também o eurodeputado José Manuel Fernandes, que será depois ouvido na comissão parlamentar de Assuntos Europeus.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG