Faltam respostas sociais? A comunidade resolve

Projeto RAD quer usar a inteligência dos cidadãos de Arcozelo para resolver as suas próprias necessidades

Espaços públicos para partilha de experiências; desportos de rua; espaços de cowork; encontros de parentalidade; integração da família na escola; respostas sociais. Estas foram algumas das necessidades identificadas por um grupo de nove cidadãos, na freguesia de Arcozelo, em Vila Nova de Gaia, que se apropriaram do projeto RAD - Rede de Aprendizagem e Desenvolvimento. No próximo dia 30, estes "iniciadores" convidam 75 fregueses e freguesas a juntarem-se à iniciativa, que pretende resolver as necessidades da comunidade, seja através de microempresas, associações, movimentos ou cooperativas.

Filipe Jeremias, 37 anos, coordenador do projeto, apresenta-se como um "facilitador de mudança". "Queremos intervir na polis. A ideia é criar novas formas de nos organizarmos, empoderar os cidadãos e juntos transformar a comunidade", explica ao DN, destacando que se pretende que as pessoas tenham "voz ativa", tanto a expressar necessidades como a encontrar soluções.

No próximo dia 30, os "iniciadores" esperam conseguir reunir cerca de 75 pessoas num "evento kick off". Segundo Filipe Jeremias, o objetivo é "acelerar o mapeamento de desafios e necessidades da comunidade, através de metodologias de ação participativa". Reunidas as 10 ideias principais, vão ser criados grupos de trabalho, ver como é que cada um pode intervir nas soluções e definir planos de ação.

Filipe dá um exemplo prático: "Imaginemos que está a crescer o número de habitações de turismo local e que a grande maioria não tem pequeno-almoço para os hóspedes. Pode surgir um grupo de pessoas que olha para isto como uma necessidade e cria uma cooperativa com produtos biológicos, que sirva o alojamento local".

Implementar projetos até dezembro

De acordo com o plano traçado, os projetos devem ser implementados de 15 de setembro até ao final do ano. Filipe Jeremias reconhece, no entanto, que provavelmente nem todos serão concluídos. "Interessa o processo, a forma como se estabelecem relações, redes, como se resolvem os conflitos".

O RAD reúne uma série de metodologias já implementadas em diferentes países. "É um conjunto de teorias, que estão a ser colocadas em prática". Na sociedade atual, explica Filipe, "é o poder local que deteta necessidades e arranja um conjunto de projetos para dar resposta, muitas vezes importados de outros locais". Este projeto, prossegue, representa "uma nova forma de a comunidade se organizar para ter resultados diferentes".

Questionado sobre o financiamento, o mentor adianta que "há a possibilidade de as pessoas poderem intervir no financiamento, tal como as organizações. Até pode existir uma empresa que financie o projeto-piloto até dezembro".

As nove pessoas que estão no arranque do RAD têm em comum "a vontade de agir de forma diferente no território". São de áreas tão diferentes como o empreendedorismo, a solidariedade social, a propaganda médica ou o ensino. Participam no projeto de forma voluntária, mas, segundo Filipe Jeremias, existe vontade de criar uma cooperativa de desenvolvimento local, aberta a quem queira participar.

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