"Por Favor Não Matem os Velhinhos'. Vera Sousa explica porque segurou aquele cartaz

Depois da fotografia em que aparece, na manifestação em frente à Assembleia da República apelando ao "não" à eutanásia, ser fortemente divulgada e satirizada, Vera Guedes de Sousa, estudante de Medicina, decidiu falar, mesmo não sendo ela a autora do cartaz

Chama-se Vera Guedes de Sousa, estuda Medicina, e é a jovem que segurava no cartaz onde se lia "Por favor não matem os velhinhos" na manifestação pelo "não" à eutanásia à frente da Assembleia da República, antes de os deputados terem seguido essa mesma via em votação.

A imagem circulou nas redes sociais, originou polémica, e deu origem a diversos memos na Internet (um deles, por exemplo, envolvia Bruno Carvalho e Jaime Marta Soares). Apesar de não ser ela a autora do cartaz, na segunda-feira à noite Vera decidiu pronunciar-se.

"Até hoje evitei responder à polémica do cartaz "Por favor não matem os velhinhos", que segurei na manifestação a favor da vida. Neste momento, no entanto, sinto a necessidade de defender "este cartaz" - mesmo com o risco de me sujeitar a mais criticas e assédio. Prefiro ser criticada por aquilo que realmente sou e acredito e não pela imagem totalmente distorcida e ridícula que alguns procuraram criar", escreveu a jovem na sua página de Facebook. Na tarde de terça-feira, a publicação tinha já mais de 500 partilhas e de 2500 "gostos".

Vera Guedes de Sousa explica que o cartaz procurava "sensibilizar as pessoas para a vulnerabilidade dos idosos caso a eutanásia venha a ser legalizada e promovida pelo Estado. A sua condição mais frágil e débil, possíveis fracos recursos económicos e falta de acesso a cuidados paliativos torná-las-á mais suscetíveis para pedir a morte caso esta opção seja legitimada pela Sociedade e facultada pelos serviços do Estado. Este é o verdadeiro significado do cartaz."

Dando conta de que muita gente confunde distanásia com eutanásia, a estudante de Medicina evoca o Código Deontológico da profissão e afirma que o "doente é detentor do direito de cessar ou recusar quaisquer tratamentos, não de pedir antecipação propositada da sua morte". A estudante explicou ainda que a sua escolha profissional foi motivada pela vontade de dedicar-se "a cuidar dos outros e a lutar pelo valor que mais importa neste mundo: a Vida", e que por isso está contra a possibilidade de o médico se tornar no "veículo da precipitação da morte do doente".

Vera Guedes de Sousa chamou ainda a atenção para a necessidade de o país melhorar o acesso aos Cuidados Paliativos - "neste momento, mais de 70 mil pessoas não têm acesso", afirma. "Como explicar a pressa na criação de uma lei que permitirá que pessoas sejam assistidas para morrer, quando não damos às mesmas os cuidados a que elas têm direito?"

Outro dos pontos do texto que escreveu trata daquilo a que chama "rampa deslizante" nos países onde a eutanásia é legal. "Note-se a extensão da eutanásia para crianças e doentes mentais na Holanda e na Bélgica; bem como os inúmeros casos de eutanásia não consentida. Esta legislação pode partir de uma intenção humanista, mas todos os que tentaram demonstram que não é possível cumprir o projeto inicial e que não é possível limitar esta lei para o conjunto de parâmetros inicialmente pretendido. Afinal de contas, o sofrimento não é algo mensurável, logo "sofrimento insuportável" não é igual para cada pessoa, pelo que não é possível legislar sobre o assunto."

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