O programa de financiamento do IGCP relativo aos primeiros seis meses do ano fica fechado amanhã. A agência que gere a dívida pública tem agendado um leilão de Bilhetes do Tesouro - dívida de curto prazo - através do qual conta com um montante indicativo de entre 750 milhões de euros e mil milhões de euros. Os títulos têm maturidades de 3 e 11 meses..Inicialmente, o objetivo passava por captar entre mil milhões e 1,25 mil milhões de euros, mas face às recentes operações de financiamento, o IGCP decidiu rever em baixa a meta a atingir amanhã..A última vez que Portugal emitiu dívida com estes prazos foi a 15 de abril passado, altura em que pagou um juro de 0,007% para colocar 300 milhões a 3 meses e suportou uma taxa de 0,015% para emitir 950 milhões a 11 meses..No entanto, foi no último leilão de dívida de curto prazo que o IGCP fez história ao passar a fazer parte do lote restrito de países a quem os investidores pagam para ter dívida. Pela primeira vez, a taxa média ponderada fixou-se em níveis negativos, mais concretamente em -0,002%. Na prática, os investidores que subscreveram títulos de dívida portuguesa aceitaram receber menos dinheiro do que aquele que emprestaram ao Estado..Na antevisão ao leilão, Eduardo Silva considera que "amanhã, quando o IGCP voltar ao mercado de divida, deverá conseguir colocar o montante máximo de mil milhões de euros, a juros perto dos mínimos históricos, com possibilidade de registarmos novamente taxas negativas".."A inflação a recuperar, a falta de liquidez no mercado de dívida e a crise na Grécia, seguem a impulsionar os juros a 10 anos, resultando em forte volatilidade. No entanto, nas maturidades de curto prazo existe estabilidade pois o impacto do factor temporal é menor", acrescenta o gestor da XTB Portugal..Fantasma grego.Ao contrário dos últimos meses, marcados pela queda dos juros da dívida no mercado secundário à boleia do programa de compra de dívida anunciado e implementado pelo Banco Central Europeu, Portugal terá de enfrentar amanhã um cenário bem diferente..A crise na Grécia aumentou de tom, devido ao impasse nas negociações entre Atenas e os credores internacionais para chegar a um acordo que impeça o incumprimento do país, e além da recente subida dos juros da dívida o fantasma da possível saída da Grécia do euro voltou para assustar os investidores..Assim, a operação de amanhã servirá - mais uma vez - não só para Portugal se financiar mas também - mais uma vez - para demonstrar que Lisboa não é Atenas.