A notória falta de reação da maior parte dos deputados do Chega no momento em que André Ventura e o resto da primeira fila da bancada do partido se levantaram para votar contra a proposta de Pacote Laboral do Governo deveu-se ao facto de praticamente todo o resto do grupo parlamentar desconhecer que as negociações de última hora com a AD não tinham surtido efeito. Ao que o DN apurou, isso não terá sido partilhado para evitar fugas de informação.No início da tarde de sexta-feira, quando o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, perguntou quem votava contra a proposta do Governo, todas as bancadas parlamentares da esquerda se levantaram, como seria previsível. A novidade foi constatar que André Ventura, juntamente com o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, e as deputadas Rita Matias e Cristina Rodrigues se juntaram na reprovação do diploma. Algo que também constituiu surpresa para a maior parte da segunda maior bancada do hemiciclo, visto que foram raros os deputados a levantarem-se de imediato. Entre as exceções estiveram próximos do líder do partido, como Pedro Frazão, Patrícia Carvalho e Felicidade Vital, o que contrastou com expressões de desconforto de outros eleitos.Vídeos partilhados nas redes sociais mostraram que membros destacados da bancada do Chega, incluindo Eduardo Teixeira, coordenador do partido na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública; Rui Paulo Sousa, presidente da Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados, e Rui Afonso, presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública tardaram a levantar-se. Mas também se demoraram a erguer membros do núcleo duro de André Ventura, como Marta Silva e Ricardo Regalla Dias Pinto. “Ou muito me engano ou este pessoal nem sabia que ia votar contra a legislação laboral”, comentou num vídeo partilhado nas redes sociais o assessor Gonçalo Levy Cordeiro, que nas últimas legislativas ficou à beira de ser eleito deputado pela Iniciativa Liberal.Ao que o DN apurou, o mal-estar de alguns deputados em relação ao sentido de voto, que ditou o chumbo do Pacote Laboral, aplaudido por dirigentes sindicais, incluindo o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, levou a que alguns elementos do grupo parlamentar do Chega tenham ponderado apresentar declaração de voto. Algo que acabou por não se verificar.No entanto, mesmo entre os deputados apanhados de surpresa pelo voto contra decidido por André Ventura há quem admita que a decisão da liderança do partido tem justificação, tendo em conta que o Executivo de Luís Montenegro não deu garantias de que as exigências do Chega viessem a ser contempladas.Ao longo da semana passada - tanto na reunião entre Ventura e Montenegro na residência do primeiro-ministro como no debate quinzenal de quarta-feira, e no debate da proposta do Govreno, no dia seguinte -, o Chega defendeu que a idade da reforma voltasse progressivamente aos 65 anos para quem tenha uma carreira contributiva de 40 anos, sendo acusado pelo líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares, de “pôr em causa a sustentabilidade da Segurança Social”. E queria ainda a reposição dos 25 dias de férias indexados à assiduidade, como antes da intevenção da troika, licenças para avós darem assistência a netos, reforço do horário de amamentação e melhores condições para quem trabalha por turnos. .Pacote laboral rejeitado com chumbo do Chega e da Esquerda. Só PSD, CDS e IL votaram a favor.Chega insiste na introdução da prisão perpétua após menina ser morta pela madrasta