A passagem a independentes dos dois vereadores que o Chega elegeu para a Câmara do Funchal fez subir para sete o número de elementos de Executivos Municipais que deixaram o partido desde as eleições autárquicas de 2025. E, como passaram apenas quatro meses, criou receios nesse partido de que se possa repetir o que sucedeu no ciclo autárquico anterior, quando apenas 10 dos 19 vereadores eleitos em 2021 mantiveram a ligação ao Chega.Mesmo ficando aquém das expectativas, a 12 de outubro de 2025, o Chega conquistou a presidência de três câmaras municipais (Albufeira, Entroncamento e São Vicente), bem como outros 134 vereadores. Um número que deixou o partido fundado em 2019 só atrás do PSD e do PS em número de eleitos para os Executivos Municipais - embora PCP (12) e CDS (6) presidam a mais câmaras -, mas que foi enfraquecido pela desfiliação de eleitos que mantiveram o mandato, enquanto independentes, assumiram pelouros e deram maiorias absolutas a autarcas sociais-democratas.Sendo incerto que tal venha a acontecer como Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas, até porque a coligação PSD-CDS já tem maioria absoluta na Câmara do Funchal, em Lisboa Carlos Moedas passou, pela primeira vez, a ter Executivo maioritário, atribuindo os pelouros da Saúde e Desperdício Alimentar a Ana Simões Silva, que semanas antes deixara o Chega, alegando divergências com o outro vereador do partido, Bruno Mascarenhas. E algo parecido aconteceu agora em Vila Nova de Gaia, onde o social-democrata Luís Filipe Menezes desfez o empate com a oposição do PS ao atribuir os pelouros das Feiras, Mercados, Ambiente e Bem-Estar Animal a António Barbosa, único vereador eleito pelo Chega.As desfiliações tinham começado dias após as eleições, quando Luís Saraiva se desfiliou e passou a independente, na Câmara de Mirandela, em guerra aberta com a distrital de Bragança. Mais tarde, também Maria Lencastre Portugal, única vereadora do Chega na Câmara de Coimbra, passou a independente, e nos últimos dias Emanuel Vindeirinho, vereador na Marinha Grande, fez o mesmo.Na sequência destas saídas, e realçando que o Chega “elegeu milhares de autarcas em todo o país”, entre presidentes, vereadores, deputados municipais e membros de juntas de freguesia, André Ventura disse que “quando um partido se torna muito grande surgem questões a nível local que nem sempre vão de encontro ao que pretendemos”. “Os autarcas do Chega devem trazer soluções e devem ser absolutamente intransigentes com os seus valores de transparência, de combate à subsidiodependência, de promoção das forças de segurança e bombeiros e de apoio ao tecido empresarial local. Quando as coisas não correm tão bem, o partido tem tido a capacidade de se reorganziar e rejuvenescer no seu tecido autárquico. Não cedemos nos nossos valores e nos nossos princípios”, disse Ventura, argumentando que no PS e PSD “sempre houve desafios deste tipo”.Fontes do Chega ouvidas pelo DN admitem que poderá haver mais casos, devido a problemas com as estruturas locais e à tentação de receber pelouros com a passagem a independente - neste momento, isso só acontece nas três câmaras do partido e nos casos de Sintra e de Tomar, onde houve acordo com o PSD -, o que implica uma remuneração que os vereadores da oposição não têm. Para a direção nacional do Chega fica a compensação de que entre os vereadores eleitos em 2025 há muitos deputados, como Pedro Pinto (Faro), Rita Matias (Sintra), Rui Paulo Sousa (Amadora), Bruno Nunes (Loures), Pedro Frazão (Oeiras), Marta Silva (Seixal), Filipe Melo (Vila Verde), Eduardo Teixeira (Viana do Castelo), Bernardo Pessanha (Viseu), Luís Paulo Fernandes (Leiria), Pedro Correia (Santarém) ou João Graça (Portimão)..Chega fica sem nenhum dos dois vereadores que elegeu para a Câmara do Funchal.Lisboa. Carlos Moedas passa a ter maioria absoluta com vereadora que se desfiliou do Chega