O presidente do Chega, André Ventura, considerou esta quarta-feira, 27 de maio, que o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho se referia ao Governo quando falou em políticos que se tornam postiços comparando-os a “prostitutos sem caráter”.“Penso que é claro que o doutor Pedro Passos Coelho se estava a referir àqueles que governam não a pensar nas próximas gerações, mas a pensar nas próximas eleições. E neste momento só está a governar uma entidade, que é o Governo”, afirmou o líder do Chega aos jornalistas no Palácio de Belém, depois de uma audiência de cerca de uma hora com o Presidente da República, António José Seguro.Na terça-feira, 26, na apresentação de um livro onde esteve também André Ventura, o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho criticou os políticos que, para tentarem agradar a todos ainda mais do que os populistas, se tornam postiços, comparando-os a “prostitutos sem caráter”.O antigo líder do PSD avisou que quando, com medo do populismo, o político do chamado ‘mainstream’ “lhe veste a casaca para evitar que o populismo chegue com o voto ao palácio e resolve ser mais populista do que o populista, normalmente a história mostra que a coisa não funciona”.“O que é autêntico e genuíno sempre se manifesta e de uma forma muito mais eficaz do que o que é postiço e então o postiço fica sem nada: fica sem integridade, fica como um prostituto sem caráter, sem reduto de pensamento, simplesmente vendido ao aplauso que o momento lhe possa fornecer”, afirmou, sem explicitar a quem dirigia o recado.Ventura afirmou que Passos Coelho “se está a referir a um Governo que não é capaz de fazer reformas, que quando as faz, faz mal”, e considerou que “todas as iniciativas do Governo que tiveram o nome reforma foram um desastre”.“A reforma do Estado acaba com o visto prévio e vai permitir um bar aberto de corrupção, a dita reforma laboral é um desastre a céu aberto e à vista de todos, a tirar direitos às pessoas que trabalham, às trabalhadoras mães, não cabe na cabeça de ninguém, a reforma da Justiça é tão reforma que ainda não a conseguimos ver e nem sabemos onde é que está”, criticou.À saída do Palácio de Belém, o presidente do Chega não quis comentar diretamente a expressão usada pelo antigo primeiro-ministro e líder do PSD, mas disse que a intervenção de Passos, com a qual concordou na generalidade, foi “muito clara, muito assertiva”.“Pedro Passos Coelho não quer ser politicamente correto, e isso é bom. Era o que faltava a Pedro Passos Coelho ter que ser politicamente correto. Pedro Passos Coelho diz o que pensa, como pensa, tem um pensamento próprio. Eu acho que faz falta isso em Portugal, ter um pensamento próprio, ter capacidade de o dizer, não estar agarrado a interesses ocultos”, elogiou.André Ventura defendeu também que “é uma prova de maturidade democrática que um líder em funções, e um líder que já esteve em funções e que já foi primeiro-ministro, consigam partilhar o mesmo espaço, partilhar as mesmas ideias, estar no mesmo espaço público”.“É evidente que há uma identidade, que há um bem-estar, digamos assim, que há um espaço onde eu e o Dr. Pedro Passos Coelho estamos bem, é na crítica aos governos que não querem fazer nada, a apelar a reformas, a apelar a integridade, e a uma certa defesa da identidade nacional. Estamos bem os dois a fazer isso, não é segredo nenhum”, disse.Sobre o futuro político de Pedro Passos Coelho, o presidente do Chega defendeu que o antigo primeiro-ministro “faz falta ao país”, porque “é uma voz importante” e que “tem valor”, mas remeteu a decisão para o próprio.“Acho que em qualquer coisa que faça, fará bem”, afirmou, acrescentando: “Temos poucos ex-primeiros ministros que tenham esta autoridade, capacidade de intervenção, mobilização. Se o Governo tem tanto medo dele, é porque alguma coisa ele está a fazer bem, e o que está a fazer bem é criar desassossego num país que precisa avançar e não andar sempre para trás”.Questionado se Passos pode trocar o PSD pelo Chega, Ventura disse que gostaria que assim fosse.“Se Pedro Passos Coelho puder ser um dia, por exemplo, candidato a Presidente da República apoiado pelo Chega, acho que sim, acho que pode, acho que tem condições para isso, e acho que seria uma enorme mais-valia para o país. Mas, essencialmente, Pedro Passos Coelho é muito importante como reformista, e nós precisamos de políticos inconformados, reformistas, que lutem contra a corrupção”, disse. .Pedro Passos Coelho critica políticos postiços que são como “prostitutos sem caráter”