Lançamento do livro, na Fundação Artur Cupertino de Miranda , em Famalicão, a 7 de setembro de 2026
Lançamento do livro, na Fundação Artur Cupertino de Miranda , em Famalicão, a 7 de setembro de 2026Foto: DR

"Um Presidente Contra a Corrente": como Seguro superou Desafios e fez história nas eleições

O livro nasceu na noite da segunda volta das presidenciais. Nele, Luís Paulo Rodrigues, antigo jornalista e especialista em comunicação, procura explicar como António José Seguro conquistou o eleitorado e identifica um afastamento entre os cidadãos, os partidos e o meio político e mediático de Lisboa. Prefácio é de Álvaro Beleza
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A correspondência entre o percurso político de António José Seguro e uma mensagem de pacificação, estabilidade e defesa das instituições democráticas é uma das explicações que Luís Paulo Rodrigues apresenta para a vitória nas eleições presidenciais. Em Um Presidente Contra a Corrente (Prime Books), o autor analisa a caminhada eleitoral de Seguro, a sua comunicação e a relação que estabeleceu com o país.

A ideia do livro surgiu na noite da segunda volta, à medida que eram conhecidos os resultados. “Não tinha dúvidas de que ia ganhar a segunda volta. Tinha dúvidas era em relação ao score eleitoral e ter ultrapassado a fasquia de Mário Soares foi um feito histórico”, afirma.

Para Luís Paulo Rodrigues, porém, o maior desafio da candidatura esteve na primeira volta. A passagem de Seguro à fase decisiva da eleição é, na sua leitura, inseparável de um percurso que contrariou expectativas e resistências, incluindo entre figuras históricas do próprio Partido Socialista. O autor distingue essas críticas de uma posição da direção partidária.

É nesse regresso à disputa política, cerca de uma década depois do afastamento da liderança socialista, que encontra uma das razões para o título. O livro procura compreender como um político que não conseguiu impor-se no seu partido voltou e conquistou a confiança do país para ocupar a Presidência da República. “O livro é a procura dessa resposta”, resume.

Na análise do autor, a candidatura beneficiou da coerência entre a biografia de Seguro e os objetivos que apresentou aos eleitores: pacificação política, estabilidade, defesa da democracia e das instituições democráticas, além da intenção de dar voz ao interior e a quem se sente menos representado.

“Quanto mais a biografia do político se aproxima do seu propósito político, mais esse político tem condições de vencer”, sustenta Luís Paulo Rodrigues. A experiência política é outro dos elementos que destaca. Na sua avaliação, Seguro era, a par de Luís Marques Mendes, um dos candidatos mais experimentados e preparados para a função. A esse percurso juntou-se uma campanha de proximidade, com atenção aos pequenos municípios.

O autor associa essa presença no território à distribuição do apoio eleitoral e considera significativa a escolha das Caldas da Rainha como lugar central da candidatura, incluindo na noite das eleições. Entende que essa opção marcou uma diferença em relação às campanhas concentradas em Lisboa.

Luís Paulo Rodrigues dedica também atenção às sondagens e à leitura das tendências eleitorais. Considera que houve dificuldades na deteção do apoio a Seguro e uma subvalorização da candidatura. Questionado sobre se essa circunstância o terá beneficiado, relativiza a ideia, admitindo que o candidato poderia ter alcançado uma vantagem ainda maior na primeira volta.

A interpretação que retira da vitória vai além da estratégia de campanha. O autor identifica dois afastamentos: entre os diretórios partidários e os cidadãos e entre o “ecossistema político mediático de Lisboa” e o resto do país. Na sua leitura, o crescimento de Seguro, apesar das críticas de figuras socialistas, revela uma perda de credibilidade dos partidos junto dos eleitores.

O livro inclui ainda um episódio que Luís Paulo Rodrigues viveu enquanto jornalista, em 1997. Depois de contactar a Presidência do Conselho de Ministros para obter esclarecimentos sobre uma situação numa autarquia do Norte, recebeu uma chamada de Seguro às 22 horas desse mesmo dia. “A única vez na vida que tinha falado com ele está relatada no livro. Foi como jornalista”, conta. O autor apresenta esse contacto como um exemplo de proximidade, educação e respeito pelos outros, características que também identifica na campanha presidencial.

O prefácio, assinado por Álvaro Beleza, tem como título “A vitória da decência” e sublinha a integridade, a coerência e a moderação de Seguro. O posfácio, “A comunicação positiva ou a arte de ganhar sem atacar”, é da autoria de Vasco Ribeiro, professor de Comunicação Política da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que enquadra a campanha na capacidade de conquistar confiança através da serenidade e de uma mensagem positiva. Um Presidente Contra a Corrente está à venda desde 8 de setembro.

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