O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusou esta terça-feira, 26 de maio, o Governo da AD de ter apresentado para a Saúde “um ato de voluntarismo sem substância” e alertou para o risco de “pulverização da resposta da emergência médica” no plano do Executivo para a reorganização do INEM. As críticas do líder socialista foram feitas no encerramento do fórum “Plano de Emergência e Transformação da Saúde (PETS): Dois Anos de Anúncios por Cumprir”, promovido pelo grupo parlamentar do PS e no qual Carneiro deixou críticas ao que disse ser a ineficácia da atuação do ministério liderado por Ana Paula Martins. Sobre o PETS apresentado pelo Executivo de Luís Montenegro logo após a vitória nas legislativas de 2024, Carneiro considerou que o plano foi “meramente um ato de voluntarismo que não tem substância”, apontando como exemplo a redução do número de consultas nos centros de saúde em 2025 e acusando o Governo de procurar “respostas fáceis para questões que são complexas e difíceis”.O plano de reorganização da emergência médica - que viu recentemente aprovada uma nova lei orgânica que institui um novo modelo de governação, prevendo a existência de um diretor clínico e de um diretor de enfermagem no Conselho de Administração - concentrou algumas das críticas mais duras. José Luís Carneiro afirmou ver “com preocupação aquilo que se vai fazer” nesta área, defendendo que o Governo ignorou propostas socialistas apresentadas em julho do ano passado para reforçar a coordenação entre emergência pré-hospitalar e hospitalar.“O que tenho visto é uma pulverização da resposta da emergência médica quando se devia capacitar a integração sistémica”, declarou, deixando um aviso ao primeiro-ministro: “Estejam muito atentos àquilo que são intenções que foram publicamente apresentadas e que poderão fragilizar ainda mais a resposta da coordenação e da emergência pré-hospitalar.”Registo Único de Saúde entre as propostas do PSNo plano das propostas, o PS defende a criação de um Registo Único de Saúde para cada utente, interoperável entre SNS, setor social e prestadores privados, medida que Carneiro admitiu ser “muito exigente” devido à integração tecnológica necessária. O partido propõe também maior autonomia para as administrações hospitalares, reforma dos cuidados de saúde primários, reforço da saúde pública e medidas de atração e fixação de profissionais.Entre essas medidas estão a integração do internato médico na carreira médica e o reforço das competências dos enfermeiros especialistas.Carneiro garantiu ainda disponibilidade para participar no pacto estratégico para a Saúde promovido pelo Presidente da República, afirmando existir “muitas dimensões” em que é possível alcançar “convergência política”.com agências.Carneiro acusa Montenegro de falhar na saúde onde “não é possível fazer pior”