António José Seguro com o médico Miguel Beleza, seu apoiante desde o início.
António José Seguro com o médico Miguel Beleza, seu apoiante desde o início. Rodrigo Antunes/Lusa

Quase 500 personalidades da Saúde subscrevem manifesto de apoio a candidatura de Seguro

Em 24 horas, o Manifesto Saúde Segura, lançada por um grupo da Saúde, conseguiu reunir 475 subscritores, entre os quais estão ex-ministros da Saúde, dirigentes de organismos do Ministério da Saúde, cientistas e professores universitários.
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A ideia surgiu após 500 nomes das Artes se terem reunido para assumirem o seu apoio à candidatura de António José Seguro à segunda volta das eleições presidenciais, no dia 8 de fevereiro. Aconteceu “de forma livre e espontânea e em 24 horas conseguimos 475 subscritores”, conta ao DN, o médico Hélder Aguiar, e também escritor, vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís 2025.

O Manifesto Saúde Segura foi lançada na Internet pelas 14h00 do dia 25 e pelas 16h00 do dia 26 já contava com 475 subscritores, entre os quais Hélder Aguiar destaca os ex-ministros da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, num governo socialista, e de Fernando Leal da Costa, ex-ministro e secretário de Estado da Saúde, em governos do PSD, bem como de João Goulão, presidente do SICAD, ainda médicos e professores universitários como Hernâni Caniço, ou Rafic Nordin, agora aposentado mas ex-diretor do Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Ocidental, ou de Sílvia Ouakinin, psiquiatra.

A unir todas estas personalidades está um compromisso pela “defesa dos valores éticos e da universalidade dos cuidados”, pode ler-se no texto que subscrevem e onde é referido ainda que: “Nós, profissionais de saúde, lidamos diariamente com a fragilidade humana. Com a sua força inabalável também. E é desse lugar ambíguo, onde a prática e o cuidado se encontram, que nós falamos. Sabemos que a saúde não pode ser considerada nem um favor nem um luxo. A saúde é um direito universal. Constrói-se e protege-se, tal como a liberdade.”

Por isto mesmo, dizem que é “com desassossego” que assistem “à normalização de discursos que barram a saúde a grupos, introduzem hierarquias de valor entre as vidas e desvalorizam a ciência. A realidade e os estudos provam-nos outra coisa: a doença não escolhe origem, estatuto ou identidade. Sempre que se começa a excluir, o sistema esboroa-se por dentro até desmoronar e falhar a todos.”

O grupo destas quase 500 pessoas diz acreditar “num pacto que assenta no respeito pelo cumprimento dos direitos ao acesso. Uma saúde pública que não barra a entrada e que garante cuidados de qualidade, a tempo e horas, especialmente para os mais idosos e para os mais vulneráveis. Quando a saúde deixa de ser para todos, deixa de proteger quem quer que seja." E alertam: “Não podemos regressar ao tempo em que o medo era o método nem devemos aceitar discursos que criam divisão, estigmatização ou desconfiança entre as pessoas. Não devemos ser tolerantes com a intolerância. Sabemos que essas vias corroem a relação terapêutica e a própria qualidade dos cuidados.”

Os subscritores deste Manifesto dizem acreditar “na dignidade do doente e na autonomia de quem cuida. Esses valores dependem de instituições fortes e livres de influências que se queiram sobrepujar ao julgamento clínico. A pandemia por COVID-19 demonstrou-nos precisamente isso: quando se confia na ciência e se reforça o SNS, vidas são salvas”.

Por tudo isto, sublinham, “apoiamos uma candidatura que defende a estabilidade e os valores éticos, consagrados nas Convenções de Genebra, bem como o respeito incondicional por quem procura os cuidados. Apoiamos por isso António José Seguro porque representa esses valores. Acreditamos numa sociedade que cuida de todos para proteger cada um. Essa sociedade não deve abdicar da ética em nome do medo ou da demagogia fácil. Defendemos um país onde o SNS continua a ser um espaço de segurança, ciência e humanidade. Um lugar onde ninguém é deixado à porta.”

Ao DN, Hélder Aguiar diz também acreditar que o número de subscritores do documento vai continuar a aumentar, em nome de “um Portugal que não vira costas a quem precisa. Convidamos todos os profissionais de saúde democratas e humanistas a juntarem-se a este compromisso pela centralidade de um sistema de saúde. Justo, universal e humano.”

Esta é mais uma iniciativa setorial, como a das Artes e também de “figuras não socialistas” (250 nomes) que surgiram nos últimos dias.

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