Catarina Martins continua em reflexão
Catarina Martins continua em reflexãoLíbia Florentino / Global Imagens

Presidenciais 2026: em vésperas da rentrée do Bloco, Catarina Martins adia decisão

Com presença garantida no Fórum Socialismo 2025, que decorrerá em Coimbra a 30 e 31 de agosto, a eurodeputada do BE diz ao DN que o processo sobre uma candidatura  presidencial não "está fechado”.
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O anúncio de uma candidatura de Catariana Martins às presidenciais de 2026 continua suspenso. “Tenho pensado muito sobre esse desafio, continuo em reflexão sobre o espaço ainda por preencher na corrida presidencial em Portugal e esse processo não está fechado. Na próxima semana estarei na Polónia, no primeiro acampamento de jovens da Aliança de Esquerda Europeia, a que co-presido. Estamos a começar uma articulação europeia inédita, para reforçar a esquerda. Só depois é que anunciarei qualquer decisão”, diz ao DN a eurodeputada e ex-coordenadora do Bloco de Esquerda, em vésperas da participação, em Coimbra, a 30 e 31 de agosto, no Fórum Socialismo 2025, um fim de semana de debates promovido pelo Bloco de Esquerda que marca a rentrée do partido.   

Conhecida a indisponibilidade de Sampaio da Nóvoa para protagonizar uma candidatura comum à esquerda, o BE quer avançar com um nome das suas fileiras. A eurodeputada é assim desafiada a protagonizar o que será também uma prova de vida de um partido em queda em últimas eleições, considerando que Catarina Martins pode valer mais que o BE. Ponto em comum, de resto, com a candidatura de António Filipe, também ele empenhado em estancar a queda eleitoral dos comunistas.      

O primeiro sinal foi dado pela ex-coordenadora do BE a meio do mês de agosto, numa publicação nas redes sociais. Gorada a possibilidade de Sampaio da Nóvoa avançar, processo em que esteve particularmente empenhada, assim como o próprio Bloco de Esquerda, com a líder do partido, Mariana Mortágua, a anunciar na moção de recandidatura à liderança do partido a disponibilidade do BE para contribuir “para uma candidatura de convergência democrática, contra a subversão liberal dos direitos constitucionais”, Martins assumia responsabilidades. “Este tempo exige uma esquerda dialogante e capaz de propor um novo caminho para Portugal. Sei desta responsabilidade e contribuirei para lhe responder”.  Uma alternativa, dizia, aos que não aceitam “ficar reféns de uma escolha impossível entre a defesa de um presente que abandona a maioria e a aceitação e um futuro autoritário”. 

Isto num “contexto difícil” para a esquerda e com desafios próximos: “Encarar a crise da habitação, voltar a dizer que é o trabalho que constrói este país, cuidar e quem precisa e integrar quem chega”. E continuava: “Nestes dias, foquemo-nos nessa tarefa fundamental: um novo impulso refundador da democracia. Criar futuro”, escreveu.      

Depois de Marisa Matias, o BE pode endossar de novo uma mulher, também ela eurodeputada, para a disputa presidencial.   

Anti-seguristas sem candidato   

Na corrida a Belém Martins pode ser o terceiro nome à esquerda a assumir disponibilidade, depois de António Filipe, apoiado pelo PCP, e de António José Seguro, candidatura divisiva do partido socialista. A tal ponto que há no PS quem continue a envidar esforços no sentido de encontrar alternativa. À procura de um candidato que, afirmam os mais realistas, muito dificilmente aparecerá. “Parece fora de hipótese aparecer à esquerda um nome de relevo, capaz de protagonizar uma candidatura comum à esquerda”, diz ao DN uma figura do PS. “Um nome por exemplo como Sampaio da Nóvoa ou Carvalho da Silva”. Se o primeiro já descartou qualquer possibilidade, o antigo líder da CGTP é igualmente claro. “Esse é um assunto que não está na agenda”, diz ao DN.

Tanto mais que há no terreno António Filipe. Mais: segundo apurámos, a indisponibilidade do antigo líder sindical foi do conhecimento dos comunistas, antes de António Filipe se declarar candidato.

Colocada de fora a hipótese de um apoio público de figuras do PS a Catarina Martins ou a António Filipe, aguarda-se a posição de Rui Tavares. O Livre afirmou já que tomaria posição sobre as presidenciais apenas depois das eleições autárquicas, ainda que Tavares tem já defendido a união à esquerda. E a candidatura de uma mulher.

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