Desde o início da legislatura, o primeiro-ministro tanto acusou a Iniciativa Liberal (IL) de se radicalizar como a juntou aos partidos da AD num bloco da moderação, cercado no hemiciclo à esquerda e à direita. Consegue entender o que se alterou nas perceções de Luís Montenegro? Não consigo entender, e acho que o próprio primeiro-ministro também não sabe. Uma coisa é verdade: somos muito radicais na ambição que temos para Portugal. Achamos que Portugal é o que é, mas pode ser muito mais. Um país com muito mais oportunidades, melhores salários, empresas mais fortes e que possa estar ao nível dos outros países europeus. Não há nada que nos impeça de chegar lá. Isto não é o nosso fado, não é o nosso destino, somos nós que escrevemos o nosso futuro e o que a IL quer é escrever esse futuro. A nossa postura é sempre de muita ambição, muita garra e muita vontade de mudança para melhor. Claro que para um primeiro-ministro que não partilhe desta vontade de mudança - embora diga que sim -, é incómodo ter um partido que está sempre a recordar-lhe que há muitas reformas por fazer, e é preciso passar das palavras aos atos. De qualquer forma, houve mudanças na IL. Mudou a liderança do partido e também do grupo parlamentar. Isso não teve qualquer efeito? Não teve porque a IL é um partido muito assente em ideias, que são o nosso chão comum, independentemente do líder, e isso manteve-se exatamente igual. Queremos um país mais capaz, temos essa ambição e uma visão que sabemos dar resultado, pois olhamos para outros países europeus, como a Holanda, a Irlanda e tantos outros que foram implementando estas ideias, e, de facto, estão melhor do que estavam. Se resultou aquilo que dizemos, vamos fazer o mesmo em Portugal. Se queremos olhar de frente - e não de baixo para cima - para uma Holanda ou para uma Irlanda, então temos de fazer o que fizeram de bom. Não há nenhum país que faça tudo bem, mas vamos pegar nas melhores políticas públicas e implementá-las em Portugal.A 21 de outubro de 2025, quando foi eleito líder parlamentar, garantiu que a IL iria continuar a lutar para criar o país que os portugueses merecem, aquele onde os jovens possam ficar, os trabalhadores ganham o que merecem e os avós possam envelhecer com dignidade. Desde que escreveu estas palavras, os objetivos ficaram mais próximos?Todos os dias caminhamos nesse sentido. A IL é um partido do futuro e para o futuro. Já houve muitos partidos do passado, tiveram o seu lugar na história, mas não podemos estar sempre a olhar para o passado. Queremos olhar para a frente, queremos olhar para o futuro. Exatamente com esses objetivos: um país em que os portugueses não têm de fazer contas à vida, não têm de andar a contar tostões, não têm de ir para o aeroporto despedir-se dos filhos que emigraram, não têm de ver as oportunidades passar, não têm de estar numa aflição e num sufoco por não terem um sítio onde ir viver. E isto é mesmo possível. Não há nada na nossa condição de portugueses que nos impeça de lá chegar. A prova disso é que quando os nossos jovens - e não só - emigram para estes países, são pessoas altamente competentes, com enorme sucesso. A grande maioria dos nossos imigrantes, felizmente, estão muito bem e damos cartas lá fora. Se conseguimos fazer isto lá fora, o que nos impede de fazer o mesmo em Portugal? É isso que nos move e todos os dias caminhamos nesse sentido, porque todos os dias vamos insistindo que é possível estar melhor e vamos apresentando as nossas propostas. Não basta apenas contestar e dizer mal. Na hora da verdade, é preciso mostrar uma visão para o país - e é isso que fazemos diariamente, no Parlamento e não só.Há exemplos palpáveis dessa melhoria?Infelizmente, ainda não conseguimos observar isso por parte do Governo que falou tanto, em campanha eleitoral, da necessidade de mudança, de transformação e de reformas. Passaram-se quase dois anos e temos apenas uma reforma em cima da mesa. Tudo o resto são medidas muito cirúrgicas. Mesmo a redução do IRC e do IRS, que obviamente acompanhamos, deve ser feita numa lógica mais transversal, de olhar para o sistema fiscal como um todo, não apenas de ir ao imposto e baixar um ou dois pontos percentuais, de forma muito tímida. A única reforma que o Governo fez - ou está a tentar fazer - é a laboral, mas quando olhamos para a forma como está a decorrer esta tentativa, ficamos com a ideia de que, na verdade, o Governo quer um argumento para dizer que está tudo a bloquear. Não está. Já nos mostrámos disponíveis para acompanhar essa reforma laboral. Mas não basta. Ainda não há reforma de Justiça, não houve uma reforma fiscal, na Saúde precisamos desesperadamente de uma verdadeira reforma, e mesmo nas medidas para a habitação ainda não está quase nenhuma no terreno e as que estão ainda não produziram efeito. E as que produziram até agravaram o problema, pois aumentaram a procura. Exigimos, mais do que pedimos, não por nós e sim pelos portugueses, o que ainda não tem sido feito. Da parte da IL, continuaremos a apresentar um conjunto de reformas, nas várias áreas. Esse é o nosso compromisso com os portugueses, foi para isso que depositaram a confiança em nós, para que puxemos pelo Governo. .As últimas legislativas trouxeram o hemiciclo mais desequilibrado para a direita de sempre, com menos de um terço de deputados à esquerda do PSD e o PS a perder a liderança de oposição para o Chega. A correlação de forças permitia ir mais além? Em teoria sim, mas na prática parece que não, porque, intitulando-se de direita, o Chega tem sido tudo menos direita, pelo menos do ponto de vista económico. Quando olhamos para a reforma laboral, André Ventura já veio dizer que é contra; e na medida de o Tribunal de Contas acabar com os vistos prévios, que estrangulam a Administração Pública - obviamente que isso requer muita fiscalização, mas é uma medida que faz sentido - o Chega é contra. Poderia haver uma oportunidade para realizar essas reformas, mas o Chega não é claramente um parceiro. Quando olhamos para a Assembleia da República, só há mesmo um partido que faz da necessidade de mudança para melhor, da necessidade de reformismo, a sua bandeira permanente, da qual não arreda pé.Na vossa visão, o Chega, além de populista, consegue ser mesmo socialista?Economicamente tem sido. Em alguns temas, tem ultrapassado o PS pela esquerda. Veja-se que continua a defender uma TAP pública, exatamente a mesma posição do PS. Na questão laboral, André Ventura parecia que se estava a candidatar à liderança da CGTP. Estava mais próximo da CGTP do que o PS, embora recentemente este se tenha aproximado muito da CGTP, o que é também uma novidade histórica. Por exemplo, baixar a idade da reforma era uma proposta que, tipicamente, vinha da extrema-esquerda, e que nem a própria extrema-esquerda recentemente apresentou, nem o PCP, nem o Bloco de Esquerda. O Chega é, cada vez mais, um partido que dá as mesmas soluções que a esquerda já dava. Não acrescenta nada. Depreendo que as bancadas da AD também desiludem as vossas expectativas.A AD desilude, por vários motivos. Quando apresentamos propostas que são visivelmente boas, e eles sabem disso, muitas vezes votam contra para não nos dar ganho político - às vezes, viabilizam mais tarde, por iniciativa do Governo - ou votam contra por receio de mudança. Querer mudar o país, sempre para melhor, requer a coragem de explicar medidas que podem não ser imediatamente populares, mas têm de ser tomadas. E fazer política com coragem não é para todos. Há quem tenha receio de ir contra os interesses instalados, contra as corporações, contra quem está bem com o status quo e não quer mudar absolutamente nada. Muitas vezes, a AD não partilha dessa vontade, dessa energia e dessa coragem para fazer acontecer. Isso naturalmente desilude-nos, mas desilude sobretudo os portugueses, porque imagino que quando votaram na AD, em 2024 e 2025, foi para mudar, pois se não teriam votado novamente no PS. E ainda não observámos essa mudança. Segundo os estudos de opinião, alguns desses eleitores neste momento até voltariam a votar no PS. Eventualmente, mas porque ainda não ouviram o secretário-geral do PS a falar. Quando o ouvirem, creio que são capazes de recuar, pois percebem que o PS, além de ainda não ter aprendido muito com o que aconteceu recentemente, continua a ensaiar um discurso que parece muito próximo do Bloco de Esquerda. As sondagens são importantes, mas valem o que valem. Na hora da verdade, não sei se isso aconteceria. Tenho é certeza de que há uma grande vontade de mudança. Os portugueses não estão visivelmente satisfeitos. Por isso é que continuam a emigrar em massa, sobretudo os nossos jovens - um em cada três - e a queixarem-se, com toda a razão, da Saúde, da Justiça, da Habitação e do custo de vida. Não conseguem pagar as contas, e querem mudar. Neste momento, o partido que elegeram para estar à frente do Governo não partilha dessa vontade de mudança, mas a nota positiva é que há um que tem como missão precisamente isso.A IL vê-se como um oásis no bloco do imobilismo?Vemo-nos como um partido que, se está na política, tem de ser a sério. Ou seja, não estamos aqui pelos lugares. Todos tínhamos as nossas vidas. Sou professor universitário. Não digo que sou político - estou político. A minha grande motivação foi olhar para os meus filhos mais novos e imaginar uma conversa difícil, daqui a uns anos - eles têm oito e cinco anos -, quando chegarem à maioridade, e disserem: "Pai, mãe, temos de sair porque não encontramos oportunidades em Portugal." Acho que não sou apenas eu. Muitos portugueses sentem exatamente o mesmo, e são eles que me motivam a deixar - aos meus filhos e aos filhos de todos os portugueses - um país melhor, onde possam ficar. Se isso é um oásis, estamos à procura dele. Apesar de tudo, os quatro partidos mais à direita conseguiram convergir em alguns temas. A nacionalidade e a imigração são questões totalmente casuísticas ou há aqui um embrião para qualquer coisa?Não, acho que foi uma necessidade do momento. O PS cometeu erros primordiais em matéria de imigração. Somos a favor, naturalmente, da imigração, pois o país precisa, e a ideia de as pessoas poderem circular livremente é algo de que estamos muito próximos, mas tem de ser com regras e com condições. Aquilo que o PS fez foi, literalmente, abrir o país, através da manifestação de interesse, sem qualquer tipo de controlo e cometendo erros crassos, como o fim do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. A nossa população imigrante passou de 4% para 14%, aumentando num milhão de pessoas em cerca de seis anos, e não é possível a um país que tem de ter um Estado Social, serviços de saúde e habitação, num espaço tão curto de tempo acomodar tanta gente, sem regras e sem critério. Tivemos de reconhecer, por pragmatismo, que era necessário impor regras e criou-se essa oportunidade. O Chega diaboliza os imigrantes, diz que são todos bandidos que vêm roubar, e jamais partilharemos dessa opinião. Aliás, não olhamos para os imigrantes como um coletivo. Todas as pessoas que vêm para Portugal são diferentes, não há nenhum indivíduo repetível. Ainda bem que escolheram o nosso país, ficamos muito satisfeitos, mas há regras que têm de ser cumpridas, e todos devem cumpri-las. Se vêm por bem, para cumprir regras, para trabalhar, sejam muito bem-vindos a Portugal. Foi nessas circunstâncias que houve um voto comum, mas com motivações diferentes. Também tem havido algum chão comum em questões como a Constituição.Uma vez mais, por motivos diferentes. A necessidade da revisão constitucional está na génese da IL. Quase desde a nossa fundação que falamos da necessidade de rever a Constituição, de a modernizar e de lhe tirar a grande carga programática. A Constituição é um ar dos tempos. Resultou do desmantelamento do Estado Novo, uma ditadura que subjugou os portugueses durante muitos anos. Nessa altura, o país guinou completamente à esquerda. Mas não se pretende que uma Constituição seja um objeto ideológico ou programático. É suposto ser um denominador comum, que une todos os portugueses. Portanto, uma Constituição não pode ser a caminho do socialismo, como também não pode ser a caminho do liberalismo ou do capitalismo. Deve ser um objeto que permita aos portugueses escolherem ser livres e determinar o seu futuro. É essa a nossa motivação para rever a Constituição, mas seremos intransigentes na defesa dos princípios que são transversais à sociedade portuguesa. Não iremos permitir coisas como a prisão perpétua, que assume que ninguém é reintegrável, ou a castração química. Temos essa capacidade, porque são necessários dois terços dos deputados, e jamais permitiremos que essas propostas do Chega sejam vertidas numa revisão constitucional. Queremos é retirar de lá coisas perfeitamente obsoletas e até desadequadas, como a dissolução dos blocos politico-militares. Isso não está a ser cumprido, pelo que estamos a dizer que a Constituição tem letra morta, mas se quisermos ser consequentes significaria sair da NATO e apelar à sua dissolução, o que iria contra os interesses nacionais, pois a NATO é um grande instrumento de defesa. Veja-se a Ucrânia, que está há anos a pedir para aderir. E também não faz sentido acabar com os latifúndios, pois teríamos de acabar com mais de metade da agricultura que existe em Portugal. A Constituição está desatualizada, deve ser modernizada, mas assegurando que mantemos os seus pilares e o consenso que existe na sociedade portuguesa.Compreende a relutância do PSD no processo de revisão constitucional? Não, mas a posição do PSD já começa a ser essa. Por um lado, diz que é preciso mudar, mas, na hora da verdade, acaba por fazer pouco. Estamos a entrar no Mundial de Futebol, e a metáfora que me ocorre é futebolística. Temos o PS, que não quer mudar nada e nem sequer participa no jogo; temos o Governo, que joga para o empate; e temos o Chega que acha que está numa luta de boxe. Nós queremos jogar para ganhar. .Olhando para a sessão legislativa até agora, qual foi a aprovação mais emblemática que o seu grupo parlamentar conseguiu?Tivemos, nas várias áreas, várias medidas que foram sendo aprovadas. Todas foram importantes, mas neste momento não me ocorre uma que poderia destacar como mais emblemática.E houve alguma reprovação mais frustrante? Algumas. Ainda recentemente, o primeiro-ministro falou da necessidade de recuperar os hospitais PPP, que foram um erro crasso do governo socialista, que só acabou com eles para satisfazer parceiros de coligação, e ainda estamos a pagar todos por esse enorme erro. Apresentámos várias propostas, e algumas foram vetadas, inclusive pelo Chega. Isso para nós foi uma desilusão, porque havia um grande consenso - não à esquerda, naturalmente, porque são contra as parcerias público-privadas, apenas por motivos ideológicos. Porque é que, na hora da verdade, não foram consequentes? Confesso que isso me causou uma grande frustração. O impasse na eleição dos órgãos externos da Assembleia da República foi o ponto mais negativo do primeiro ano desta legislatura? Foi um ponto muito negativo. Os portugueses assistiram a três partidos a discutir lugares. Sobretudo no Tribunal Constitucional, a disputa era única e exclusivamente essa: o PSD tem direito a x, mas o Chega, como agora é líder da oposição, também queria um assento - o partido que se diz antissistema também quer fazer parte dele -, e o PS, que passou para terceira força política, esqueceu-se disso, e fez finca-pé que também queria ter uma posição. A nossa posição sempre foi que, independentemente de quem sugere o nome, queremos pessoas competentes e idóneas, que não vão para o Tribunal Constitucional entrincheirá-lo e polarizá-lo. Não nos interessa se é proposto pelo partido A, B ou C. Olhamos para os nomes, avaliamos, e em função disso damos a nossa anuência. Foi sempre essa a nossa postura construtiva. Infelizmente, houve um ano de impasses porque tínhamos três partidos, PS, PSD e Chega, numa disputa de quem coloca lá o seu.A decisão da IL tem apenas a ver com o perfil dos candidatos a juízes conselheiros e a provedora de Justiça?Agora e sempre. No caso do provedor de Justiça, há um nome proposto pelo PS e pelo PSD - não nos interessa se vem do PS ou do PSD -, vamos olhar para a pessoa, para o seu perfil, e perceber se tem as condições para assumir o cargo. Quando foi com Tiago Antunes, fizemos o mesmo e constatámos que não tinha condições, pelo seu passado. Não por ter feito parte de um Governo, mas por ter feito parte de uma máquina de propaganda, e fizemos aquilo que os portugueses esperam de nós quando votam na IL. Escrutinámos - fomos o único partido a fazê-lo - e, em consequência disso, vamos ter outra pessoa na Provedoria de Justiça.O protagonismo de Rui Rocha no escrutínio à possível eleição de Tiago Antunes para provedor de Justiça foi coordenado dentro do grupo parlamentar ou um momento de solista? Somos um partido que gosta muito da ideia do indivíduo, porque quando a sociedade ignorou a sua existência grandes atrocidades foram cometidas. Mas obviamente que é um trabalho de grupo. Conversámos sobre o perfil dos candidatos, mas é necessário alguém executar na primeira comissão [de Assuntos Constitucionais]. O Rui fez aquilo que se espera que todos fizessem, mas claramente não está ao alcance de todos. Escrutinou, fez o contraditório e deu a conhecer a parte do perfil que, se calhar, os outros deputados não conheciam. Não fizeram o trabalho de casa, ou não o quiseram fazer. Na audição, tanto os representantes do PSD como do Chega pareciam estar muito tranquilos com o nome de Tiago Antunes.Foram muito elogiosos com o seu perfil. De facto, nunca esteve em causa o perfil académico, mas visivelmente não fizeram o trabalho de casa e não escrutinaram o que deveriam, mas felizmente está cá a IL.Na sua ainda curta experiência está a ser fácil lidar com todas as individualidades? No passado havia a ideia de que Carlos Guimarães Pinto quase atuava à margem do grupo parlamentar...Não, de todo. A função de um líder parlamentar é potenciar o trabalho do seu grupo. Não é um chefe, daí ser um líder, que tenta pegar no melhor de cada um e dar as condições e os momentos para que consigam fazer o melhor trabalho. O Carlos é um grande ativo da IL, como são os outros deputados todos, e tem feito um trabalho concertado, alinhado com os outros deputados todos. Trabalhamos em equipa. Somos nove indivíduos, mas uma equipa que vale por 20 ou por 30. . Na reforma laboral e na reforma do Estado, que expectativas têm de conseguir ajudar a que a legislação seja aprovada?A reforma laboral é absolutamente necessária. Se não fosse, tínhamos de reconhecer que as coisas estão bem como estão. Um em cada três jovens emigram porque não encontram oportunidades em Portugal, temos 20% de taxa de desemprego jovem e 50% dos jovens que estão empregados têm contratos precários. Portugal é um dos países com maior precariedade da Europa, em que os salários e a produtividade são baixos. Creio que ninguém está satisfeito com isso. Ora, se não estamos satisfeitos com a situação, temos de a mudar. Daí a necessidade de uma reforma laboral. Mas a reforma laboral não deve ser um instrumento de luta de classes, o que a esquerda alimenta. Não é dizer que vai ser bom para o patronato, para o grande capital, como a esquerda lhe gosta de chamar, e mau para os trabalhadores. Uma boa reforma laboral tem de ser boa para todos. Faz com que os trabalhadores possam ter mais produtividade e ajuda a que as empresas cresçam mais, para poderem pagar melhores salários. Esse deve ser o grande desiderato de uma reforma laboral. E há que perceber como introduzimos alguma flexibilidade, em linha com o que acontece em toda a Europa - Portugal tem os mercados laborais mais rígidos de toda a Europa, aliás, de toda a OCDE -, mas asseguramos segurança. Não vamos desproteger os trabalhadores. Isso é muito importante, mas compete a entidades diferentes. As empresas têm de ter flexibilidade e o Estado - pagamos impostos, e bem, para que haja Estado social - tem de ajudar as pessoas em momentos de transição. Mas o Governo está a cometer muitos erros e a insistir em pontos que são incompreensíveis. Depois de tanta discussão que o apoio à maternidade e a redução do horário para amamentar geraram, traz ao Parlamento a reforma laboral com essa mesma medida, que só vai criar ruído, não resolve nenhum dos problemas do mercado laboral e é uma não-questão, verdadeiramente. Não se percebe se o Governo quer mesmo que esta reforma laboral avance ou se quer usar isto como trunfo político para mais tarde dizer que não deixaram o Luís trabalhar. Sendo esta uma legislatura em que o Governo não tem maioria absoluta, a IL está preparada para as próximas eleições ou tem expectativas de que possa ir até ao fim?Estamos sempre preparados para todo e qualquer cenário. Está no nosso DNA, mas acho que o país, neste momento, precisa de estabilidade. Os portugueses foram chamados a votar em 2025, já tinham sido chamados a votar em 2024, e não há mudanças sem estabilidade. Se estivermos sempre a mudar de Governo não conseguimos mudar o país e melhorar a vida das pessoas. Esperamos que haja condições para que o Governo possa executar essa agenda de transformação de que tanto fala. Iremos contribuir para tal e estamos continuamente a insistir para que o Governo o faça. Não podemos é dar desculpas para que depois venha dizer que não houve tempo para as fazer..Isabel Mendes Lopes: “Receio as contrapartidas que o Governo dará ao Chega para aprovar o Pacote Laboral” .Paula Santos: “Governo do PSD e do CDS tem opções políticas que são absolutamente retrógradas”.Fabian Figueiredo: "Temos de ser uma voz que pode governar Portugal"