“Portugal vai ser um país maior. Vamos, nestes dois anos, assumir a nossa responsabilidade. Vamos trabalhar, trabalhar e trabalhar e vamos concentrar-nos em fazer de Portugal um país maior”, prometeu Luís Montenegro na reação à sua reeleição como presidente do PSD, depois de ter obtido 94,8% dos votos nas eleições diretas realizadas este sábado. Numa mensagem em vídeo divulgada após a reeleição, Montenegro agradeceu a “expressiva demonstração de adesão e de confiança” dos militantes e sublinhou a responsabilidade acrescida do PSD enquanto partido de Governo. “O PSD é hoje o maior partido português”, afirmou, garantindo que o executivo está focado em “não defraudar as expectativas que foram criadas” pelos portugueses."Sabemos que as pessoas, os portugueses, nos confiaram a responsabilidade de olhar pelo seu presente e pelo seu futuro - e é isso que estamos a fazer. Portugal é hoje um país que é um exemplo na Europa e é uma referência no mundo, ao nível da estabilidade económica, da estabilidade financeira e da estabilidade social", referiu na mensagem divulgada.Apesar da vitória confortável, o resultado representa uma ligeira quebra face às anteriores diretas de 2024, quando tinha sido reconduzido com 97,45% dos votos, e ficou também marcado por uma participação mais reduzida dos militantes.Segundo os resultados divulgados pelo Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, Montenegro, candidato único, reuniu 14.467 votos dos militantes social-democratas. Foram ainda contabilizados 525 votos em branco e 269 nulos, num total de 15.261 votantes. Dos 56.868 militantes inscritos, cerca de 73% não participaram no ato eleitoral.Em 2024, tinham votado 16.602 militantes e a taxa de abstenção ficou a rondar os 60%.Embora sem oposição interna nas urnas, a eleição deste sábado chegou num contexto político particular para a liderança de Montenegro. Em março, o presidente do PSD e primeiro-ministro em exercício surpreendeu ao propor a antecipação das eleições diretas no partido para este mês de maio, justificando a decisão com a intenção de fazer coincidir o ato eleitoral com os quatro anos da sua primeira eleição, em maio de 2022.No entanto, essa decisão de Montenegro foi sobretudo interpretada como uma resposta ao crescente "ruído" provocado pelas intervenções públicas de Pedro Passos Coelho, o antigo primeiro-ministro que tem multiplicado críticas à atuação do Governo e à estratégia política da direção do PSD, apontando falta de ritmo reformista ao seu antigo líder parlamentar.Ao anunciar as diretas, Montenegro lançou mesmo o desafio a quem tivesse um “caminho diferente e alternativo” para o partido que se apresentasse a votos, no que foi visto como uma mensagem para Passos Coelho. Mas o ex-líder social-democrata afastou a intenção de regressar à liderança, afirmando não ser “candidato a coisíssima nenhuma”.Sem adversários na corrida, Montenegro viu este sábado confirmada a liderança social-democrata, mas os números revelam um apoio ligeiramente menos expressivo do que há dois anos. O próximo teste interno acontecerá no 43.º Congresso Nacional do PSD, marcado para os dias 20 e 21 de junho, em Anadia, onde serão eleitos os restantes órgãos nacionais do partido e traçadas as linhas políticas para os próximos anos..Um em cada quatro militantes do PSD em Espinho preferiram votar branco ou nulo e não em Luís Montenegro.Montenegro diz que PSD é "imperturbável face a ruídos menores" e desvaloriza ausência de Passos: "Vou ter menos um voto, mas é a vida"