Luís Montenegro em conferência de imprensa na cimeira da NATO
Luís Montenegro em conferência de imprensa na cimeira da NATONECATI SAVAS/EPA

Montenegro anuncia que Portugal atingirá 3,1% do PIB em Defesa até ao final do ano

Governo acelera aumento do investimento em segurança e defesa para reforçar o cumprimento dos compromissos assumidos na NATO. Primeiro-ministro diz que ouviu elogios do secretário-geral.
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Portugal deverá atingir até ao final deste ano um investimento equivalente a 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em Defesa e áreas relacionadas com a segurança, anunciou esta terça-feira (8 de julho) o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na cimeira da NATO, em Ancara. O valor resulta da soma da despesa diretamente afeta às capacidades militares com investimentos em infraestruturas de utilização dual, como energia, comunicações e mobilidade.

“Temos desenhado já para este ano de 2026 o reforço precisamente desse investimento, quer na componente exclusivamente dedicada à Defesa, quer na componente de utilização dual, que vai fazer com que, de acordo com aquilo que é a nossa estimativa e expectativa, no final deste ano o agregado destas duas componentes signifique cerca de 3,1% do nosso PIB”, afirmou o chefe do Governo.

Segundo o primeiro-ministro, Portugal prevê investir cerca de 2,1% do PIB em despesas estritamente militares, a que se juntará “cerca de 1%, talvez um pouco menos ainda”, em projetos de dupla utilização. Estes investimentos, sublinhou Montenegro, enquadram-se na nova meta aprovada na última Cimeira de Haia, que estabeleceu um objetivo global de 5% do PIB investidos em Defesa até 2035: 3,5% destinados a capacidades militares e 1,5% a áreas de apoio à segurança e resiliência.

Luís Montenegro explicou que nesta componente contam “investimentos em infraestruturas de energia, de comunicações, de várias áreas setoriais do Governo”, sublinhando que estas despesas “também são contabilizadas” para cumprir os compromissos assumidos na Aliança Atlântica. Como exemplos, apontou “a rede de energia do país” e “a rede de grandes infraestruturas que permitem maior mobilidade”. E defendeu ainda que o Plano de Recuperação e Resiliência contribui para este esforço, ao financiar projetos destinados a reforçar “a resistência e resiliência” das infraestruturas críticas do país.

Portugal chegou a esta cimeira em Ancara, na Turquia, com a notícia de ter ultrapassado, pela primeira vez desde que a meta foi fixada em 2014 de 2% do PIB em despesas exclusivamente dedicadas à Defesa. Segundo o primeiro-ministro, o país atingiu 2,01% em 2025, num aumento de 38% face ao ano anterior.

Aos jornalistas que acompanham a cimeira, Montenegro sustentou que a trajetória portuguesa foi bem recebida pelos aliados, afirmando que o secretário-geral da NATO dirigiu a Portugal um comentário “muito positivo, diria mesmo elogioso”, sobre “a fiabilidade do compromisso” assumido pelo país e a sua concretização.

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