O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento
O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda SarmentoFilipe Amorim / Global Imagens

Ministério das Finanças barra jornalista do Eco após notícia sobre Certificados do Tesouro

Profissional do jornal digital foi impedido de entrar num encontro informal no ministério. Incidente ocorreu horas após o órgão ter revelado, em 1.ª mão, o lançamento de Certificados do Tesouro.
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O Ministério das Finanças barrou a entrada de um jornalista do jornal de economia digital Eco num encontro informal (off the record) na tarde de quinta-feira, para o qual tinha sido previamente convidado. O incidente, avançado inicialmente pelo Expresso, ocorreu poucas horas após a publicação antecipada de uma notícia sobre o lançamento de uma nova série de Certificados do Tesouro.

O jornalista Luís Leitão apresentou-se no Ministério das Finanças à hora agendada para a reunião com o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, José Maria Brandão de Brito, e o presidente do IGCP, Pedro Cabeços. No local, de acordo com a reconstrução dos factos noticiada pelo semanário, o repórter terá sido travado à entrada por um militar da GNR que cumpria ordens da assessoria do ministério.

Momentos depois, a assessora de imprensa da tutela terá comunicado telefonicamente ao jornalista que o convite para o encontro tinha sido retirado.

Na origem do desentendimento esteve um artigo assinado por Luís Leitão e publicado pelo Eco nessa manhã de quinta-feira, que revelava em primeira mão a aprovação da Série 5 dos Certificados do Tesouro pelo Conselho de Ministros. Isto porque o Ministério das Finanças planearia fazer uma divulgação coordenada do novo produto de poupança com vários meios de comunicação social apenas na sexta-feira, dia em que a medida seria publicada em Diário da República.

ECO acusa tutela de "castigo" e anuncia boicote

Em reação ao sucedido, o diretor do Eco, António Costa, publicou esta sexta-feira um editorial intitulado Uma notícia, um 'off the record' e um castigo, onde classifica a atitude do Ministério das Finanças como "censurável na substância e na forma" e uma "humilhação pública".

No texto, o jornalista António Costa defende a legitimidade da publicação do furo jornalístico, explicando que o jornal tinha questionado formalmente o ministério sobre o tema uma semana antes, sem obter qualquer esclarecimento. Perante a posse de informação consolidada e independente, a redação optou por publicar a notícia antes da realização do encontro informal.

"O Ministério das Finanças decidiu castigar um jornal e um jornalista pela publicação de uma notícia em primeira mão", escreve o diretor do Eco, sublinhando que, embora o Governo tenha o direito de escolher a quem concede entrevistas, "não pode castigar jornais e jornalistas por notícias publicadas".

A direção do Eco anuncia ainda que o jornal deixará de participar em qualquer encontro informal promovido pelo Ministério das Finanças até que seja apresentado um "pedido formal de desculpas de forma pública e notória".

Até ao momento, o Ministério das Finanças, liderado por Joaquim Miranda Sarmento, optou por não prestar quaisquer declarações ou esclarecimentos adicionais sobre o sucedido.

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