O Ministério das Finanças barrou a entrada de um jornalista do jornal de economia digital Eco num encontro informal (off the record) na tarde de quinta-feira, para o qual tinha sido previamente convidado. O incidente, avançado inicialmente pelo Expresso, ocorreu poucas horas após a publicação antecipada de uma notícia sobre o lançamento de uma nova série de Certificados do Tesouro.O jornalista Luís Leitão apresentou-se no Ministério das Finanças à hora agendada para a reunião com o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, José Maria Brandão de Brito, e o presidente do IGCP, Pedro Cabeços. No local, de acordo com a reconstrução dos factos noticiada pelo semanário, o repórter terá sido travado à entrada por um militar da GNR que cumpria ordens da assessoria do ministério. Momentos depois, a assessora de imprensa da tutela terá comunicado telefonicamente ao jornalista que o convite para o encontro tinha sido retirado.Na origem do desentendimento esteve um artigo assinado por Luís Leitão e publicado pelo Eco nessa manhã de quinta-feira, que revelava em primeira mão a aprovação da Série 5 dos Certificados do Tesouro pelo Conselho de Ministros. Isto porque o Ministério das Finanças planearia fazer uma divulgação coordenada do novo produto de poupança com vários meios de comunicação social apenas na sexta-feira, dia em que a medida seria publicada em Diário da República.ECO acusa tutela de "castigo" e anuncia boicoteEm reação ao sucedido, o diretor do Eco, António Costa, publicou esta sexta-feira um editorial intitulado Uma notícia, um 'off the record' e um castigo, onde classifica a atitude do Ministério das Finanças como "censurável na substância e na forma" e uma "humilhação pública".No texto, o jornalista António Costa defende a legitimidade da publicação do furo jornalístico, explicando que o jornal tinha questionado formalmente o ministério sobre o tema uma semana antes, sem obter qualquer esclarecimento. Perante a posse de informação consolidada e independente, a redação optou por publicar a notícia antes da realização do encontro informal."O Ministério das Finanças decidiu castigar um jornal e um jornalista pela publicação de uma notícia em primeira mão", escreve o diretor do Eco, sublinhando que, embora o Governo tenha o direito de escolher a quem concede entrevistas, "não pode castigar jornais e jornalistas por notícias publicadas".A direção do Eco anuncia ainda que o jornal deixará de participar em qualquer encontro informal promovido pelo Ministério das Finanças até que seja apresentado um "pedido formal de desculpas de forma pública e notória".Até ao momento, o Ministério das Finanças, liderado por Joaquim Miranda Sarmento, optou por não prestar quaisquer declarações ou esclarecimentos adicionais sobre o sucedido.