Ministra da Saúde fez uma "saudação aos ausentes", referindo-se ao elevado número de lugares vazios no hemiciclo.
Ministra da Saúde fez uma "saudação aos ausentes", referindo-se ao elevado número de lugares vazios no hemiciclo.João Relvas / Lusa

Ministra da Saúde acusa PS de deixar INEM "nos cuidados paliativos" ao defender decreto do Governo

Reapreciação parlamentar da nova orgânica do INEM, requerida por vários partidos da esquerda, ficou marcada por acusações cruzadas entre Ana Paula Martins e o deputado socialista Carlos Pereira.
Publicado a: 
Atualizado a: 

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, aproveitou o debate da reapreciação parlamentar do decreto do Governo que criou a nova orgânica do Instituto Nacional de Emergência Médica, requerida pelo PS, Livre, PCP e Bloco de Esquerda, para dizer que o Governo "retirou o INEM dos cuidados paliativos" onde terá sido deixado por oito anos de governação socialista.

Num debate parlamentar em que a governante resolveu fazer uma "saudação aos ausentes", olhando para os muitos lugares vazios no hemiciclo, Ana Paula Martins fez referência ao "verdadeiro escândalo" dos 18 ajustes diretos para contratação de helicópteros de transporte de doentes feitos durante os governos socialistas de António Costa, ou à "perda de 35% dos quadros" ao longo desses oito anos, para deixar uma conclusão: "O que aconteceu ao INEM foi imperdoável."

A resposta veio do deputado socialista Carlos Pereira, para quem realmente imperdoável foi "ninguém no Ministério da Saúde ter percebido que havia uma greve do INEM e tenham morrido nove pessoas". Uma referência à greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, em novembro de 2024, que foi repudiada por Ana Paula Martins, considerando-a um indício de falta de argumentos do PS contra uma alteração que "permite a um cidadão de Bragança ter a mesma oportunidade de obter socorro do que em Lisboa".

Ponto comum aos pedidos de reapreciação parlamentar dos partidos da esquerda foram as acusações de "opacidade" do Governo, que terá avançado com a alteração na orgânica do INEM "sem ouvir ninguém", desde os deputados até aos próprios trabalhadores. Depois de Paulo Muacho, do Livre, apontar "mais do que incompetência" ao Ministério da Saúde; de Paula Santos, do PCP, dizer que está em causa um "desmantelamento"; e de Andreia Galvão, do Bloco de Esquerda, antecipar que se pretende "destruir mais um serviço público e abrir portas para os privados", a socialista Sofia Andrade garantiu que o seu partido "nunca esteve e não estará contra mudanças", mas pretende que sejam "precedidas de um amplo debate".

Durante o debate que se seguiu, a deputada do Chega Patrícia Nascimento recorreu à "história da Carochinha" contra um PS que "aparece sempre à janela para falar do que está atualmente mal, por culpa daquilo que não teve capacidade para fazer", enquanto Miguel Guimarães (PSD) e João Almeida (CDS-PP) defenderam as reformas em curso no INEM.

Ministra da Saúde fez uma "saudação aos ausentes", referindo-se ao elevado número de lugares vazios no hemiciclo.
Comissão de trabalhores acusa Governo de querer desmantelar INEM
Ministra da Saúde fez uma "saudação aos ausentes", referindo-se ao elevado número de lugares vazios no hemiciclo.
Antigo presidente do INEM repudia conclusões da IGAS sobre mortes na greve
Diário de Notícias
www.dn.pt