O Presidente da Estónia, Alar Karis, defendeu esta quinta-feira, 15 de janeiro, em Lisboa um aumento das sanções à Rússia e o reforço do apoio à Ucrânia, sublinhando que o seu país está “totalmente empenhado” na segurança da Europa.Em conferência de imprensa conjunta, no final de uma reunião com o Presidente português, o chefe de Estado da Estónia disse que a Ucrânia continua a ser um tema central e que a defesa da independência e da integridade territorial daquele país “é inabalável”.“Não aceitaremos que as fronteiras sejam alteradas pela força”, sublinhou, referindo que “esta é uma questão existencial para a Estónia, bem como para os membros das Nações Unidas”.Alar Karis, que iniciou esta quinta-feira uma visita de Estado de dois dias a Portugal, afirmou ainda que “o alargamento da União Europeia continua a ser uma das mais fortes garantias de segurança” que se pode oferecer e que “a adesão da Ucrânia à NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte] deve manter-se em cima da mesa”.A Estónia “continuará o seu apoio militar anual à Ucrânia e está pronta para contribuir para a coligação dos países dispostos a cooperar”, afirmou, defendendo também ser essencial a responsabilização pelos crimes de agressão.O chefe de Estado do país do leste da Europa, que partilha uma fronteira de cerca de 350 quilómetros com a Rússia, considerou também que a Europa deve investir mais na defesa, referindo que a Estónia vai passar a dedicar, a partir do próximo ano, 5,4% do PIB (Produto Interno Bruto, a riqueza produzida pelo país) a essa área.“Todos os aliados devem tomar medidas concretas para atingir as suas novas metas de gastos com defesa”, disse Alar Karis, ao lado do homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa.Portugal e Estónia, que mantêm relações diplomáticas há mais de 100 anos, têm os mesmos “valores, responsabilidade e trabalho em equipa” e falam “a mesma linguagem, apesar dos diferentes climas e geografias”, afirmou, sublinhando que os dois países “partilham uma visão muito semelhante da Europa e do mundo”.“Gostaria de agradecer a Portugal pelo seu compromisso a longo prazo com o flanco leste da NATO e pela sua participação na missão de policiamento aéreo do Báltico”, adiantou, tendo também referido que “o regresso de Portugal à base aérea de Amari, a partir de abril de 2026, é um forte sinal de solidariedade entre os aliados”.A cooperação entre os dois Estados passa também pela economia, governação digital e educação, adiantou Alar Karis, que estará, na sexta-feira, presente num fórum empresarial, onde participarão cerca de 50 empresas estónias e portuguesas.“Isto demonstra o crescente interesse de ambas as partes e oferece-nos excelentes oportunidades para aprofundar a cooperação em muitas áreas, incluindo os serviços digitais e a inteligência artificial”, disse..O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou a unidade entre Portugal e Estónia "agora e sempre" e manifestou expectativa de que a visita do seu homólogo permita um reforço da cooperação política e militar."Estamos juntos, estamos coesos e estamos firmes", declarou Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa, tendo ao seu lado o Presidente da Estónia, Alar Karis, que recebeu, com honras militares, no início da sua visita de Estado a Portugal.Numa declaração de cerca de cinco minutos, feita em português, o chefe de Estado referiu que "a Europa vive há mais de três anos e meio a afrontosa e ilegal violação da soberania e da integridade territorial da Ucrânia pela Federação Russa, ameaça óbvia à paz e à segurança europeias". Marcelo Rebelo de Sousa descreveu a posição de Portugal e da Estónia, país membro da União Europeia e da NATO desde 2004, como de apoio constante "sem hesitações ou ambiguidades" à Ucrânia.O Presidente da República referiu também que "Portugal tem estado na Estónia a cooperar militarmente nos últimos anos", onde "está hoje em missão da NATO, de policiamento aéreo", e que os dois países colaboram "noutros domínios, como o da ciberdefesa". "É neste contexto que a presente visita de Estado permite reforçar a cooperação política, diplomática, militar, económica, científica, educativa e tecnológica e abrir caminhos na colaboração a pensar no futuro. E, antes de tudo, dizer a todos, nos nossos países e fora deles, que estamos juntos, estamos coesos e estamos firmes", acrescentou.Marcelo Rebelo de Sousa esteve na Estónia em outubro do ano passado, para uma reunião do Grupo de Arraiolos, que junta presidentes sem poderes executivos de países da União Europeia, e foi recebido por Alar Karis no Palácio Presidencial. . Os dois países vão assinar na sexta-feira um protocolo de colaboração entre a Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologia Ambiental e a Câmara de Comércio e Indústria da Estónia.Alar Karis iniciou esta quinta-feira uma visita de Estado a Portugal, tendo estado, durante a manhã, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, antes de se reunir com Marcelo Rebelo de Sousa.À tarde, será recebido pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022..NATO intercetou os três caças MiG russos que violaram o espaço aéreo da Estónia, membro da Aliança Atlântica