As eleições para as comissões políticas distritais do Chega, que estão marcadas para 28 de junho, serão muito mais disputadas do que é habitual no partido liderado por André Ventura, que surge como única unanimidade nas disputas que se perfilam em Lisboa, no Porto ou em Setúbal. Com listas alternativas às encabeçadas pelos deputados Patrícia Almeida, Rui Afonso e Nuno Gabriel.Na distrital de Setúbal, onde Nuno Gabriel se recandidata a novo mandato, embalado por o Chega ter sido a principal força política nesse círculo nas últimas legislativas, superando o PS em votos e eleitos para a Assembleia da República, um grupo de dirigentes e de militantes descontentes com a liderança do deputado, que nas autárquicas de 2025 ficou a apenas 148 votos de ser presidente da Câmara de Sesimbra, prometia um “candidato-mistério”. Neste domingo foi revelado que será Nuno Valente, vereador da Câmara do Montijo, o qual assegura que a candidatura “não é contra ninguém, pois os nossos adversários estão lá fora e não dentro do partido”.Certo que é o movimento “Setúbal Merece Mais” tem partilhado nas redes sociais um vídeo alusivo ao distrito, acompanhado por um hino que, “com André Ventura na alma e no coração”, lança críticas àqueles que “chutaram militantes que só queriam trabalhar” e apela a que “esqueçam os abutres, os compadrios e a traição”. Por seu lado, Nuno Gabriel encabeça uma lista em que mantém Mascarenhas Lemos como vice-presidente, juntando-lhe a agora deputada Cláudia Estêvão e o vereador da Câmara de Setúbal, António Cachaço.Na distrital do Porto, Rui Afonso, deputado e vereador da Câmara de Gondomar, avança para um novo mandato, apresentando como credencial o crescimento eleitoral do partido nos últimos cinco anos. E assim promete continuar, garantindo que, “enquanto alguns escolhem o caminho da divisão, do ruído e da destruição”, prefere continuar “a acreditar na força da construção, da união e do crescimento”. Contará com oposição de Luís Couraceiro, que esteve com anteriores líderes da distrital do Porto, entretanto afastados do Chega, como José Lourenço. Esse candidato lança críticas ao incumbente, mas realça o “compromisso claro com todas as ideias e projetos para o país” de André Ventura, que vê como o próximo primeiro-ministro de Portugal.Prestes a apresentar a candidatura à distrital de Lisboa, de que é a atual vice-presidente, a deputada Patrícia Almeida, presença constante nas campanhas eleitorais protagonizadas por André Ventura, é favorita na sucessão de Pedro Pessanha. Mas o ex-deputado António Pinto Pereira anunciou no sábado que entra na corrida, “com o objetivo de ajudar André Ventura a chegar ao governo português”, podendo haver mais listas alternativas.Fora da corrida à distrital de Lisboa ficará Bruno Mascarenhas, vereador na Câmara de Lisboa, que admitira esse cenário na altura em que figuras do partido, como a deputada Rita Matias, apelaram ao seu afastamento devido às ligações a Mafalda Guerra Livermore, que fora nomeada para a administração dos Serviços Sociais da Câmara de Lisboa e acabou exonerada, após uma reportagem da RTP que a identificou como dona de imóveis arrendados ilegalmente a imigrantes e como estando a ser investigada por suspeitas de usurpação de funções de jurista.Contactado pelo DN, Bruno Mascarenhas garantiu que ficará de fora da disputa pela distrital, mas acrescentou estar interessado em candidatar-se à concelhia de Lisboa se o partido, cujo congresso foi adiado para o último trimestre deste ano, decidir passar a ter também eleições diretas para essas estruturas..Duelos à vista.LisboaAtual vice-presidente da distrital de Lisboa, Patrícia Almeida aparece como a candidata da continuidade, pois o incumbente Pedro Pessanha não vai a votos. A apresentação oficial será só a 13 de junho, dia de Santo António, mas a deputada garante que a “Vamos Lisboa” decorre da sua “convicção profunda” de que falta “uma estrutura política mais próxima das pessoas, mais organizada no terreno e mais preparada para responder aos desafios reais do distrito”. Deve enfrentar o ex-deputado António Pinto Pereira, que diz ter sido desafiado a avançar por um grupo de miitantes do partido. E pode não ser o único adversário.PortoRui Afonso quer reeleger-se, mas o deputado que preside à Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, além de ser vereador da Câmara de Gondomar, vai enfrentar o dentista Luís Couraceiro, da Póvoa de Varzim, que foi um dos pioneiros do partido no Porto, chegando a vice-presidente da distrital. E que se compromete a nunca integrar listas de deputados, pois “a distrital não deve ser um trampolim para a Assembleia da República”. SetúbalO deputado Nuno Gabriel avança para mais um mandato, após ver o Chega elevar-se a principal força política no distrito de Setúbal nas legislativas de 2025 e ficar muito perto de conquistar presidências de câmara nas autárquicas que também decorreram no ano passado. Mas não conseguiu convencer todos, pois o vereador da Câmara do Montijo, Nuno Valente, apresenta-se aos militantes do partido como o “candidato-surpresa” do movimento “Setúbal Merece Mais”..Conselho Nacional do Chega rejeita voto favorável na reforma laboral e na reforma do Estado "tal como estão".Pedro Pinto: "O Chega é um partido que quer dizer aquilo que os portugueses pensam"