O ex-chefe do Estado Maior da Armada, Henrique Gouveia e Melo, comentou esta tarde a crise política afirmando que, na sua perspetiva, os dois maiores partidos portugueses devem encontrar entendimentos após as eleições que tragam estabilidade.Em declarações aos jornalistas no Porto, à margem de uma conferência sobre ordem mundial, o presumível candidato à Presidência da República lembrou que, no espetro politico nacional, "os extremos todos juntos não passam de 20%" de representatividade eleitoral"."Por isso"; prosseguiu, "80% da população quer soluções [políticas] ao centro e essas soluções devem aparecer. E devem ser os partidos que estão no centro que devem conseguir o acordo entre eles fazer o que a população deseja", disse o almirante na reserva. PS e PSD têm assim "de falar" após as próximas eleições.Gouveia e Melo continua sem assumir a sua candidatura a Belém e nesta quinta-feira fez mesmo questão de dizer que não quer desviar as atenções mediáticas para si mesmo. "O que é importante é concentrarmo-nos no futuro imediato", afirmou. "Eu não quero com a minha história desviar o foco desse futuro".Até porque, prosseguiu, interrogado pelos jornalistas no local, "as crises politicas são más para todos. E eu não gostaria de aproveitar uma crise para qualquer coisa".Afinal, alertou, "sem governança podemos, num momento crítico internacional, vir a ser prejudicados"."Nós [portugueses] estamos ansiosos por ter estabilidade, por ter um governo que faça a sua função bem feita. É para isso que estamos concentrados", concluiu Gouveia e Melo.Facto é que o militar já registou o nome "Movimento Gouveia e Melo à Presidência" - algo que, reiterou, é uma forma de impedir que a designação seja usada sem a sua autorização, até porque "já houve uma tentativa" de o fazer no passado.Também o líder do Chega, André Ventura, ele próprio candidato à corrida presidencial, já disse publicamente que pondera retirar a sua candidatura neste cenário de legislativas antecipadas, indo repensar um eventual apoio ao almirante.Algo que Gouveia e Melo dispensa: "Eu não preciso nem desejo apoios de nenhum partido nem de nenhuma área política", disse esta quinta-feira. "Eu [agora] sou apenas um cidadão. Enquanto os portugueses me derem atenção e quiserem saber o que eu penso sobre determinados assuntos, eu tenho todo o gosto em partilhar isso com eles".Além disso, concluiu, "dizer que a política está toda corrupta não prestigia a democracia - e quem é democrata não devia fazer isso"..Advogado do Porto regista marca "Movimento Gouveia e Melo Presidente" em nome do almirante