Quase quatro em cada dez portugueses consideram que a sua situação económica está hoje pior do que há um ano. É esta a principal conclusão do mais recente Barómetro DN/Aximage, que revela que 39% dos inquiridos sentem um agravamento das suas condições financeiras, enquanto apenas 14% dizem estar melhor. Uma maioria relativa (47%) afirma que a situação se manteve. .Os resultados desenham um estado de perda ou estagnação do poder de compra para uma parte significativa da população e as perspetivas para os próximos meses não se revelam mais animadoras. Pelo contrário: 63% dos portugueses acreditam que o custo de vida continuará a aumentar até ao final do ano, ao passo que apenas 11% antecipam uma descida dos preços.A perceção de deterioração económica é particularmente expressiva entre os eleitores identificados politicamente com os partidos da oposição. Quase metade dos votantes do PS (47%) e do Chega (47%) consideram estar em pior situação do que há um ano. Entre os eleitores do Livre essa percentagem sobe para 58%, nos da CDU para 72% e nos do Bloco de Esquerda ultrapassa os 80%, embora neste último caso a dimensão da amostra aconselhe a reservas na interpretação dos dados.Em sentido inverso, entre os eleitores da AD apenas 21% dizem que a sua situação económica piorou, enquanto 22% afirmam mesmo que melhorou, com a maioria (57%) a considerar que está igual à de há um ano.Também quando se olha para o futuro são os eleitores da oposição que revelam maior apreensão. Sete em cada dez votantes socialistas antecipam que o custo de vida continue a subir até ao final do ano, cenário partilhado por 68% dos eleitores do Chega, por 74% dos apoiantes do Bloco de Esquerda e a totalidade (100%) daqueles que se identificam como votantes da CDU.Entre os eleitores da AD, a expectativa de novos aumentos no custo de vida também é maioritária, atingindo 62%, enquanto entre os votantes da Iniciativa Liberal se fica pelos 56%.O aumento do custo de vida voltou a ocupar o debate político nas últimas semanas, com a oposição a acusar o Governo de não estar a responder de forma suficiente ao agravamento dos preços, após a pressão sobre os combustíveis provocada pela instabilidade no Médio Oriente.A oposição levou mesmo de novo o tema ao Parlamento na última quinta-feira, com o PS a propor um conjunto de medidas temporárias para aliviar os encargos das famílias - do IVA Zero no cabaz alimentar essencial à redução do IVA sobre combustíveis e gás engarrafado, entre outras -, mas a única iniciativa com força de lei aprovada foi o projeto de lei socialista que leva o Estado a pagar um prémio salarial que devolve as propinas aos recém-formados e garante que o incentivo é acumulável com o regime do IRS Jovem. A iniciativa passou com os votos favoráveis de PS e Chega, levando o PSD a acusar os dois maiores partidos de oposição de “conluio” para aprovar um diploma que os sociais-democratas estimam custar 300 milhões de euros por ano. “Arriscam-se a levar o país para uma situação de défice”, acusou o deputado Hugo Carneiro.De resto, o primeiro-ministro Luís Montenegro invocou sempre o equilíbrio das contas públicas na defesa das medidas tomadas pelo Governo, que privilegiou ações direcionadas para os setores mais afetados pelos custos energéticos, com uma linha de financiamento de 600 milhões de euros para empresas afetadas pelo aumento de custos energéticos, um pacote de apoios ao transporte rodoviário de mercadorias e ao transporte coletivo de passageiros, bombeiros e setor social, além de um apoio direto às famílias no aumento da comparticipação na botija de gás solidária. .Barómetro DN/Aximage: PS mantém liderança com 29,3%, mas perde parte da vantagem. AD e Chega sobem.Barómetro DN/Aximage: Governo ganha seis pontos na avaliação de desempenho em junho, mas 56% dão nota negativa .Ficha técnicaObjetivo do Estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage, Lda., para o DN relativa a barómetro político e temas da atualidade.Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal.Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII),a partir do universoconhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em entrevistas efetivas: 500 entrevistas CAWI; 236 homens e 264 mulheres; 108 entre os 18 e os 34 anos,122 entre os 35 e os 49 anos, 132 entre os 50 e os 64 anos e 138 para os 65 e mais anos; Norte 175, Centro 116, Sul e Ilhas 70, Área Metropolitana de Lisboa 139.Técnica: Aplicação online - CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) - de um questionário estruturado, devidamente adaptado ao suporte utilizado, a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas. O trabalho de campo decorreu entre 24 e 25 de junho de 2026. Taxa de resposta: 91,74%.Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,4%.Responsabilidade do estudo: Aximage, Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio