O secretário-geral do PS desafiou esta segunda-feira, 29 de junho, o Governo a fazer “inversão de marcha” porque vai “em contramão numa autoestrada em grande velocidade”, acusando-o de “manobras ideológicas” com o Chega e de procurar distrair a atenção dos portugueses.“A minha expectativa é que o Governo faça inversão de marcha porque há muito tempo que o Governo está em contramão numa autoestrada e em grande velocidade, o que só pode dar mau resultado”, respondeu aos jornalistas José Luís Carneiro quando questionado sobre se esperava uma nova fase no relacionamento com o Governo depois do acordo para a Prestação Social Única (PSU).O líder do PS falava à comunicação social à chegada de uma viagem de comboio entre Sintra e Lisboa, no arranque das jornadas parlamentares do PS.Para Carneiro, “as manobras ideológicas que o Governo tem conduzido com o Chega são a prova dessa contramão em grande velocidade e na autoestrada”, criticando ainda “o modo como os partidos que constituíram momentaneamente uma maioria têm procurado distrair as atenções dos portugueses”.“Eu dou-vos um exemplo, vocês já ouviram falar, como eu também, de um ‘OVNI’ chamado Fundo Soberano. Isto foi há oito dias. Já ouviram mais falar desse assunto, desse tema? Talvez não tenha pegado, talvez não tenha enraizado”, exemplificou.Na opinião do líder do PS estas “são manobras de diversão ideológica” que faz com que “as atenções mediáticas saiam daquilo que é o essencial”.“Não queremos que as pessoas saiam do essencial e que as políticas saiam do essencial porque o essencial hoje é o custo de vida, é a habitação, é a saúde, é os rendimentos, é a economia”, disse ainda..Líder do PS recusa falar agora do OE2027 para que não seja “ponto de fuga” do Governo.O líder do PS recusou, no entanto, falar do próximo Orçamento do Estado por considerar que isso serviria os objetivos do Governo de evitar os temas aos quais tem que responder e usar este documento como “um ponto de fuga”.“Eu não quero falar do orçamento agora. O orçamento será apresentado em outubro. Falar do orçamento agora serve os propósitos do Governo”, considerou.Segundo José Luís Carneiro, falar neste altura do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) “impede que o Governo responda às questões fundamentais que tem de responder”.“Onde é que estão as políticas de habitação que façam diminuir os custos da habitação? Onde estão as respostas para a emergência hospitalar e para a saúde? Onde estão as respostas para o custo de vida?”, perguntou.Para Carneiro, se os próximos três, quatro meses forem passados “a falar do orçamento”, isso é “contribuir para que o Governo mantenha as atenções num ponto de fuga que não é o ponto de fuga que interessa às pessoas que estão lá em casa”.Sobre o custo de vida, que é o tema das jornadas, tal como tinha dito na véspera o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, o líder socialista referiu que o partido vai voltar a insistir, já esta semana, em propostas que respondam ao preço da alimentação, combustíveis ou habitação..Carneiro reclama vitória do PS na reforma laboral e PSU e pede a Montenegro que “tire cabeça da areia” .Federações do PS: três nomes próximos de Carneiro ganham em Coimbra, Bragança e Braga