BE acusa Governo de anunciar “migalhas” já “engolidas” com novo aumento das taxas de juro
O coordenador nacional do BE considerou esta quinta-feira, 11 de setembro, que o novo suplemento para pensionistas e alívio do IRS até ao sexto escalão anunciados pelo Governo são “migalhas” entretanto “engolidas” pelo novo aumento das taxas de juro.
Em declarações à agência Lusa, José Manuel Pureza classificou os anúncios do Governo no debate sobre a moção de censura apresentada pelo Chega, na terça-feira, como “uma pequena esmola” que agora, com o anunciado aumento das taxas de juro, “fica a ser menos do que nada”.
“A subida da taxa de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE) já engoliu, digamos assim, já anulou todos os efeitos que podiam estar associados a esta pequena esmola por parte do Governo”, argumentou.
Pureza sustentou que o executivo, “em vez de ter esta atitude de sedução através destas migalhas, o que deve fazer é ter uma política corajosa”, começando pelo controlo dos preços dos bens essenciais, nomeadamente dos combustíveis.
O líder dos bloquistas lembrou ainda outra proposta que o BE apresentou recentemente: colocar a Caixa Geral de Depósitos (CGD) a “travar” aumentos nas prestações do crédito à habitação durante um ano.
De acordo com Pureza, tal seria feito reduzindo o spread dos empréstimos para a compra de habitação na medida dessas subidas, pressionando os restantes bancos a fazer o mesmo.
José Manuel Pureza foi ainda questionado sobre se espera que o Governo oiça estas propostas, uma vez que o primeiro-ministro tem argumentado no parlamento várias vezes que o BE tem uma representação política diminuída.
O coordenador bloquista disse duvidar que “o custo de vida alimentado pelas políticas governamentais” tenha alguma “base popular” de apoio.
“O primeiro-ministro precisa ser desafiado, e aqui estou eu a fazê-lo, para dizer qual é a base popular de uma política que alimenta o custo de vida, uma política que cruzou os braços diante do aumento do preço da habitação, que cruzou os braços diante do aumento dos preços no supermercado”, desafiou.
Pureza alertou que “as pessoas estão descontentes” e “profundamente aflitas” com o aumento do custo de vida e que o BE tem a “responsabilidade de propor alternativas”.
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira subir, pela segunda vez este ano, as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,50%, repetindo o aumento acordado em junho.
