Os portugueses estão muito preocupados com o impacto do conflito entre EUA, Israel e Irão no aumento do custo de vida e mostram-se também amplamente insatisfeitos com os apoios dados até agora pelo Governo para responder à crise. Segundo o mais recente barómetro da Aximage para o DN, neste mês de maio, 94% dos inquiridos admitem-se apreensivos com a subida dos combustíveis e da inflação, ao mesmo tempo que mais de três quartos (77%) continuam a considerar insuficientes as medidas do Executivo liderado por Luís Montenegro para apoiar famílias e empresas.A tensão no Médio Oriente é vista como um fator direto de pressão sobre o orçamento familiar e a preocupação com o custo de vida é mesmo classificada como “muito grande” pela maioria (56%) dos inquiridos, enquanto 38% apontam uma “grande” preocupação. Só 4% revelam pouca ou muito pouca inquietação com o tema.O sentimento esmagador de preocupação com os efeitos económicos do conflito é transversal ao país, mas é no Sul e Ilhas que há uma maior fatia dos inquiridos (61%) a confessar o grau mais elevado de apreensão, tal como acontece com a faixa etária entre os 50 e os 64 anos (60%), bem como entre as classes sociais mais baixas: 63% dos inquiridos pertencentes à classe D dizem estar muito preocupados.. Apreensão mais carregada à esquerdaDo ponto de vista político, o receio económico atravessa esquerda e direita, mas atinge as expressões mais significativas entre os eleitores mais à esquerda: 80% do eleitorado BE e 78% dos inquiridos que votaram no PCP manifestam preocupação “muito grande”, face a 66% dos eleitores da IL, 62% no PS, 59% no PSD/CDS e 53% no Chega.O sentimento de apreensão económica motivado pelo conflito que se arrasta desde final de fevereiro é reflexo principalmente do agravamento dos preços energéticos provocado pelo fecho do estreito de Ormuz, que se reflete depois no custo de bens e serviços. Relembre-se que o preço médio do gasóleo voltou a subir esta semana, para uma referência de 1,97 euros por litro, mais 0,37 euros do que na véspera do ataque de EUA e Israel ao Irão, enquanto a gasolina aumentou para 2,03 euros por litro, mais 0,25 euros do que em fevereiro.Mais de três quartos insatisfeitos com apoios do Governo Ao mesmo tempo que evidenciam preocupação com o custo de vida, os portugueses continuam também a assumir forte descontentamento com a resposta governamental. Tal como já acontecia no barómetro anterior, em abril, 77% dos inquiridos consideram os apoios do Governo “insuficientes”, contra apenas 17% que os veem como suficientes (uma subida de dois pontos percentuais face a abril). A crítica atinge a expressão mais elevada na Área Metropolitana do Porto e na região Centro, onde atinge 79%.Apesar da reprovação generalizada, há algumas diferenças geracionais: entre os jovens dos 18 aos 34 anos, a taxa de insatisfação fica-se pelos 67%, ultrapassando a barreira dos 80% nos escalões acima dos 50 anos.Já no campo político-partidário, a crítica ao Governo é transversal aos principais eleitorados, agravando-se até entre os próprios eleitores da coligação PSD/CDS face a abril: de 65% para 71%. Mas aumentou também a fatia de inquiridos votantes da AD a qualificar como “suficientes” as medidas do executivo liderado por Luís Montenegro: de 12% para 25%, beneficiando da redução entre os que não sabem ou não respondem.Alargando a paisagem partidária, destaca-se o eleitorado liberal como aquele que melhor acolhe as medidas de apoio delineadas pelos Governo: 32% consideram-nas “suficientes”, o valor mais elevado entre todos os segmentos. Entre os votantes do PS, 85% consideram os apoios insuficientes, enquanto nos do Chega a reprovação se fica pelos 76%. À esquerda, o descontentamento é bem mais evidente: 88% entre os eleitores do Livre, 89% entre os da CDU e 100% entre os inquiridos do BE.Preços da energia: eleitorado do Chega culpa mais o GovernoPerante a escalada dos preços da energia, quase metade dos portugueses (47%) defende uma responsabilidade partilhada entre Governo e União Europeia no controlo dos preços. Outros 31% atribuem essa responsabilidade sobretudo à União Europeia e apenas 19% consideram que o principal papel cabe ao Governo nacional.Também aqui surgem diferenças ideológicas. Entre os três principais partidos com representação parlamentar, os apoiantes do Chega são os que mais apontam ao Governo: 28% - só ultrapassado, de resto, pelos inquiridos que se assumiram votantes do PAN (47%). No eleitorado PS, tal como no da AD, 49% atribuem responsabilidade conjunta a Governo e UE.Jovens mais pessimistas quanto à duração do conflitoO barómetro mostra ainda uma opinião pública dividida quanto à duração da guerra a envolver EUA, Israel e Irão, mas com pouca crença numa resolução rápida, apesar do atual cessar-fogo e negociações em curso. Apenas 21% acreditam que o conflito terminará em menos de seis meses. Outros 32% apontam para uma duração entre seis meses e um ano e mais 32% consideram que a guerra poderá prolongar-se por mais de um ano.Os mais jovens são os mais pessimistas: 46% dos inquiridos entre os 18 e os 34 anos acreditam numa guerra superior a um ano. .Barómetro DN/Aximage. Maioria defende diálogo com Rússia; EUA já surgem como segunda maior ameaça à Europa.Barómetro DN/Aximage. Revisão da Constituição divide direita e esquerda.Barómetro DN/Aximage: PS abre dez pontos de vantagem e AD cai para terceira força.Ficha técnicaObjetivo do Estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage, Lda. para o DN relativa a barómetro político e temas da atualidade. Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal.Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII),a partir do universo conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em entrevistas efetivas: 505 entrevistas CAWI; 248 homens e 257 mulheres; 106 entre os 18 e os 34 anos,129 entre os 35 e os 49 anos, 133 entre os 50 e os 64 anos e 137 para os 65 e mais anos; Norte 182, Centro 102, Sul e Ilhas 70, Área Metropolitana de Lisboa 151.Técnica: Aplicação online - CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) - de um questionário estruturado, devidamente adaptado ao suporte utilizado, a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas. O trabalho de campo decorreu entre18 e 19 de maio de 2026. Taxa de resposta:91,82%.Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,4%.Responsabilidade do estudo: Aximage, Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio