Mais de metade dos inquiridos no Barómetro DN/Aximage de julho dizem que a capacidade da atual equipa do Ministério da Educação para organizar e conduzir as próximas fases e épocas de exames nacionais é má (31%) ou muito má (23%). Apenas 4% dos 501 participantes nas entrevistas, feitas a 20 e 21 de julho, após grande polémica quanto aos atrasos e erros na correção das provas, disseram que os responsáveis pela tutela têm muito boa capacidade e 12% reconheceram-lhes boa capacidade para liderar esse processo, com outros 26% a dizerem que não têm nem boa nem má. “Lamentamos e pedimos desculpa pela perturbação causada na vida dos alunos, famílias e das escolas”, disse o ministro da Educação, Fernando Alexandre, na conferência de imprensa que fez na segunda-feira passada, primeiro dos dois dias em que tiveram lugar as entrevistas do Barómetro DN/Aximage. Ainda que o governante tenha garantido que ninguém sairá prejudicado no acesso ao ensino superior pelas “desconformidades na digitalização”, os inquiridos demonstram pouca confiança no processo. Se 3% consideram os resultados da correção dos exames muito confiáveis, e 23% dizem que são confiáveis, muitos mais são os que acreditam no contrário: 49% dizem que são pouco confiáveis e 21% expressam a ideia de que são nada confiáveis.. Também inequívoca é a atribuição de culpas pelas falhas e atrasos na correção dos exames nacionais. O ministro, o primeiro-ministro e o Governo em geral são responsabilizados por 76% dos inquiridos pela Aximage, enquanto professores e sindicatos são apontados por apenas 12% - mesmo nos eleitores da AD a percentagem sobe apenas para 20%, enquanto o Executivo é responsabilizado por 66% - e as escolas, pais e alunos só têm culpa para 4% dos inquiridos. Num Barómetro DN/Aximage de julho em que o Executivo teve a avaliação mais negativa desde a tomada de posse, a maioria dos inquiridos considerou insuficientes as explicações do ministro da Administração Interna, Luís Neves, sobre as ligações ao empreiteiro João Santos Carvalho, a gestão de crises pelo primeiro-ministro foi chumbada, e a AD voltou a cair para o terceiro lugar nas intenções de voto, atrás do PS e do Chega, também ficou claro que a grande maioria dos inquiridos reconhece grande importância às falhas nos exames nacionais.A polémica decorrente da digitalização dos exames nacionais e do seu impacto nos alunos do ensino secundário foi considerada muito importante por 52% dos inquiridos e importante para 30%, enquanto a percentagem dos que responderam o inverso é muito diminuta: 6% dizem que é pouco importante e 2% que é nada importante. Apesar de os eleitores do PS serem os que dão maior ênfase ao problema - 63% dizem que é muito importante e 27% que é importante, enquanto 52% e 27% dos do Chega, respetivamente, consideram o mesmo -, também a grande maioria dos que deram os votos à AD que sustentam este Executivo dizem que os problemas nos exames nacionais são muito importantes (41%) ou importantes (35%).Embora os dados do Barómetro DN/Aximage não permitam apurar se os inquiridos têm ou não ligação a alguém que tenha feito os exames nacionais, os segmentos em que a percentagem dos que reconhecem maior importância ao tema são os dos 35 a 49 anos (54% dizem que é muito importante e 33% que é importante) e dos 50 aos 64 anos (61% responderam que é muito importante e 22% que é importante). Justamente aqueles que mais tenderão a ter filhos no ensino secundário, e que também são os que mais responsabilizam o ministro, o primeiro-ministro e o Governo pelo que correu mal. .Ficha técnica.Objetivo do Estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage, Lda., para o DN relativa a barómetro político e temas da atualidade.Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal.Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em entrevistas efetivas: 501 entrevistas CAWI; 246 homens e 255 mulheres; 103 entre os 18 e os 34 anos, 125 entre os 35 e os 49 anos, 133 entre os 50 e os 64 anos e 140 para os 65 e mais anos; Norte 183, Centro 113, Sul e Ilhas 66, Área Metropolitana de Lisboa 139.Técnica: Aplicação online - CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) - de um questionário estruturado, devidamente adaptado ao suporte utilizado, a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas. O trabalho de campo decorreu entre 20 e 21 de julho de 2026.Taxa de resposta: 93,30%Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,4%.Responsabilidade do estudo: Aximage, Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio..Exames nacionais. PS avançará com comissão de inquérito se ministro da Educação não esclarecer questões até setembro.Exames nacionais: “Todos os alunos estão a ser prejudicados desde o início do processo”.Exames nacionais: Época especial entre 3 e 8 de setembro e aberta aos alunos elegíveis para 2.ª fase