“Nada tenho contra o partido, nada tenho contra André Ventura. Pelo contrário, sempre me trataram bem. Saio porque não me deixam trabalhar, não me deixam ter pelouros. Já não aguento mais. Não posso ser um mero objeto.”Em declarações ao Diário de Notícias, Ana Simões Silva descreve assim a sua relação com Bruno Mascarenhas - vereador eleito pelo Chega, juntamente com a médica dentista, nas eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025. Nesse sentido, decidiu desfiliar-se do partido e assumir o mandato no executivo municipal como vereadora independente.“Entrei nesta câmara municipal com um projeto. Um projeto que percebi que não iriam deixar que cumprisse, por não me darem condições de trabalho”, acrescenta.A decisão foi anunciada na segunda-feira, 19 de janeiro, e justificada com “incompatibilidades políticas intransponíveis” com Bruno Mascarenhas. Em comunicado, a vereadora explicou as razões da sua saída: “Informo que irei assumir o mandato na qualidade de vereadora independente. Esta decisão prende-se com incompatibilidades políticas intransponíveis dentro do gabinete da vereação do partido Chega. Não posso permanecer como uma vereadora meramente decorativa, sem qualquer tipo de meios que permitam exercer um mandato competente em benefício da cidade de Lisboa”, afirmou Ana Simões Silva, num comunicado enviado à agência Lusa.No mesmo documento, a eleita pelo Chega no executivo municipal de Lisboa informou ter apresentado oficialmente a sua desfiliação do partido, “com efeitos imediatos”.Relação com MoedasQuestionada sobre o seu posicionamento na Câmara Municipal, nomeadamente em relação ao executivo liderado por Carlos Moedas, agora que assume funções como vereadora independente, Ana Simões Silva é clara: “Vou analisar cada proposta, cada projeto, e fazer uma avaliação. Em caso algum votarei ‘sim’ porque sim ou ‘não’ porque não.”Ana Simões Silva ocupou o segundo lugar da lista do Chega à Câmara Municipal de Lisboa nas eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025, integrando a candidatura encabeçada por Bruno Mascarenhas, então deputado na Assembleia Municipal de Lisboa. O Chega conseguiu eleger, pela primeira vez, dois vereadores.