Ventura: "Quando chega a hora de votar, PSD e IL estão ao lado do Governo"

Líder do Chega diz que sociais-democratas não estão a ser coerentes com o que disseram no Congresso do último fim de semana.

André Ventura lamentou esta terça-feira na Edição da Noite da SIC Notícias que PSD e Iniciativa Liberal vão abster-se da moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega e que esta quarta-feira estará em votação na Assembleia da República.

"Esperava que o PSD fosse coerente com o congresso do fim de semana. Montenegro disse que ia fazer oposição a sério. Pediu-se a demissão do ministro, falou-se da desorganização do Governo... mas o PSD vai abster-se. Qual é a diferença entre o PSD de Rui Rio para o PSD de Luís Montenegro?", questionou o líder do Chega.

"As pessoas querem uma oposição. A direita está fragmentada. O SNS e o aeroporto estão como estão, o gasóleo está com o preço mais alto de sempre... mas quando chega ao hora de votar, PSD e Iniciativa Liberal estão ao lado do Governo", acrescentou André Ventura, que acusou o PSD de recear o Chega.

"O PSD acha que o Chega tentou condicionar o Congresso do PSD, mas as urgências e os combustíveis não estão como estão por causa do Congresso do PSD. O PSD votou sempre ao lado do CDS, mas não vota ao lado do Chega porque o CDS nunca foi uma ameaça séria para o PSD, porque o Chega faz oposição a sério", argumentou.

"O objetivo da moção de censura é um sinal de censura ao Governo por parte do parlamento. Tivemos um ministro a anunciar dois aeroportos, a ir às televisões e no dia seguinte o primeiro-ministro disse que não era nada disso. Por menos Jorge Sampaio dissolveu a Assembleia da República", recordou o líder do Chega, que garante que votaria a favor caso fosse o PSD a apresentar uma moção de censura. "Mas o PSD está a pensar no PSD, não está a pensar no país", criticou.

Ventura diz que não é por o PS ter maioria absoluta que o Chega vai deixar de apresentar moções e projetos de lei durante a presente legislatura, prometendo escrutínio ao Governo. "Todos os projetos de lei estão condenados ao fracasso numa maioria absoluta, mas temos um dever perante os portugueses. Não podemos estar os 230 lá sentados à espera de novas eleições", frisou, lamentando que "Rui Rio achava que fazer oposição ao Governo era colaborar e Montenegro está a ir pelo mesmo caminho".

Na sexta-feira, o presidente do Chega, André Ventura, anunciou a apresentação de uma moção de censura ao Governo, uma iniciativa que está à partida chumbada uma vez que o PS dispõe da maioria absoluta dos deputados na Assembleia da República.

No texto da moção de censura, o Chega justifica a iniciativa dizendo que o país está "perante um Governo sem estratégia" e que "os escassos meses do XXIII Governo Constitucional foram já prova bastante da sua falta de capacidade e organização".

Em concreto, o Chega identifica três situações que o executivo "se tem mostrado incapaz de resolver: caos na saúde; crise nos combustíveis; completa falta de articulação no seio do Governo e desautorização e fragilização extrema de alguns ministros".

E aponta que a situação em torno do novo aeroporto de Lisboa foi "a gota de água", considerando que "por bem menos do que esta absoluta confusão institucional, o então Presidente da República, Jorge Sampaio, dissolveu a Assembleia da República na XIX legislatura".

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