Rio muda de estratégia e quer antecipar diretas

Líder dos sociais-democratas deixa cair ideia de adiar para depois das próximas eleições legislativas a disputa interna no seu partido. Agora vai tentar "comprimir" datas

Flic-flac à retaguarda na campanha de Rui Rio pela liderança do PSD. O presidente do partido e recandidato à liderança defendeu ontem à noite, entrevistado na TVI, que vai tentar a partir de hoje "comprimir" os calendários da disputa interna de forma a, por exemplo, antecipar as eleições diretas, que estão marcadas para 4 de dezembro (antecipando com isso também o congresso).

A proposta representa uma inversão total da estratégia do líder do partido, que até agora tinha sugerido insistentemente o adiamento do processo eleitoral interno para que o PSD enfrentasse a campanha legislativa fora de uma situação de confronto interno.

"Temos margem para fazer comprimir os calendários", "vou ver se é possível comprimir tudo", afirmou o presidente do PSD, argumentando que, assim, demonstra que não está "agarrado ao poder", aceitando portanto a ideia de que a legitimidade interna da direção do partido tem de ficar esclarecida antes das eleições legislativas, marcadas ontem pelo Presidente da República para 30 de janeiro (ver texto principal nestas páginas).

Rio argumentou que se fossem mantidas as diretas para 4 de dezembro, o PSD só estaria na verdade pronto para disputar a campanha eleitoral com o PS no início de janeiro. Ou seja, o PS e António Costa partiriam para as eleições com "um mês e meio de vantagem" sobre o PSD porque o partido passaria todo o mês de novembro e dezembro em disputa interna.

Na entrevista, Rio recusou comentar a data escolhida pelo Presidente da República para as eleições - há dias tinha sugerido que Marcelo estava ao serviço da estratégia da Paulo Rangel. "Está decidido, há que ir em frente, ponto final, parágrafo. Cá estamos, está decidido, vamos avançar, vamos adaptar-nos a isso", disse, recusando as insistentes perguntas dos entrevistadores sugerindo um comentário crítico à decisão do Presidente. Seja como for, insistiu na ideia de que a data das legislativas não poderia ser condicionada pelos calendários internos no PSD: "O povo português não tem de ser condicionado pela vida interna dos partidos."

Na parte final da entrevista, Rui Rio assegurou também que, se for a votos como líder do PSD nas legislativas contra António Costa e perder, deixará então a liderança do partido abandonando também a vida política. "Ou eu sou primeiro-ministro ou esta é a última eleição da minha vida", afirmou, categoricamente.

Rio afirmou ainda que, internamente, dentro do PSD, todo o elã do partido conquistado com o resultado autárquico foi entretanto "destruído" pela disputa pela liderança entretanto desencadeada.

No próximo sábado, o Conselho Nacional do PSD vai discutir a antecipação do congresso do partido de 14, 15 e 16 de janeiro para 17, 18 e 19 de dezembro - numa iniciativa dos apoiantes de Paulo Rangel.

joao.p.henriques@dn.pt

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG