Rio admite cenário de saída enquanto sai em apoio de Pedro Machado na Figueira

Ainda com o problema da candidatura a Vila Nova de Gaia por resolver, após desistência de António Oliveira, Rui Rio aposta forte na autarquia onde Santana também concorre.

O Conselho Estratégico Nacional do PSD reúne-se no próximo sábado na Figueira da Foz para debater as propostas alternativas para a governação do país. Mas Rui Rio mandou reunir estas tropas naquele município com o intuito de dar visibilidade e força à candidatura de Pedro Machado, antigo presidente da Região de Turismo do Centro.

E isto porque na corrida à Câmara da Figueira da Foz está também Pedro Santana Lopes, antigo primeiro-ministro, que avançou mesmo para uma candidatura independente à autarquia que já governou entre 1997 e 2001 (quando saiu para concorrer à Câmara de Lisboa).

As duas candidaturas dividem, inevitavelmente, o campo político de centro-direita e reduzem drasticamente a possibilidade de Rio ver bem-sucedida a aposta em Pedro Machado contra o candidato do PS e atual presidente da autarquia, Carlos Monteiro.

E se na Figueira a aposta é no reforço da candidatura de Pedro Machado - já que Rio falará no sábado a partir daquele palco -, em Vila Nova de Gaia o líder do partido ainda tem um problema bicudo para resolver após a desistência do ex-selecionador nacional de futebol António Oliveira.

Ao que o DN apurou, o nome para encabeçar a lista do partido àquele município ainda não está fechada, embora o nome mais provável seja o de Cancela Moura, líder da concelhia do PSD de Vila Nova de Gaia e com o qual Oliveira se terá precisamente incompatibilizado.

António Oliveira, que foi uma escolha pessoal de Rui Rio, justificou mesmo o seu abandono da corrida autárquica com acusações fortes às estruturas locais do PSD, sobretudo a que lhe estariam a impor nomes para a equipa que o deveria acompanhar nesta campanha.

"Ao longo de três meses fui sujeito a pressões, intimidações e ameaças. Tentaram impor-me o pior da "mercearia partidária" e tentaram envolver-me nas mais inacreditáveis negociatas de lugares. Enfim, quiseram obrigar-me a empregar os beneficiários do rendimento mínimo da política. Não conheço este PSD que, em Gaia, está prisioneiro de quem só lhe faz mal, para fazer bem a si próprio. Não quis acreditar que fosse possível fazer política com base nos piores princípios da espécie humana. Mas, aqui, em Gaia, no meu partido de sempre, é o que se passa", disse na altura, em carta aberta, o antigo selecionador nacional.

As estruturas locais do partido reagiram de imediato às acusações. o presidente do PSD do Porto considerou a escolha de Oliveira "um erro de casting". "Esta escolha acabou por ser um erro de casting. O PSD provou que está absolutamente aberto a envolver na política, em prol do bem comum, pessoas de fora do partido, pessoas da sociedade civil, pessoas que, não tendo uma militância partidária ativa, possam contribuir para o que as estruturas possam dar. Mas efetivamente concluímos com este percurso de três meses que foi um erro", afirmou Alberto Machado.

O líder da concelhia, que agora está na calha para ser o cabeça-de-lista à câmara, veio a público argumentar que António Oliveira faltava às reuniões e que teria reunido uma única vez com aquela estrutura.

Cancela Moura foi duro também e garantiu: "Ao contrário do que afirma o ex-candidato, quem foi vítima de pressões, intimidações e ameaças fomos nós, disse, afirmando que "da única vez que [António Oliveira] se reuniu com a Concelhia do PSD, perante uma plateia de gente que não conhecia, os destratou, provocou e insultou de forma gratuita" e que o antigo selecionador nacional tomou decisões "à revelia dos órgãos legitimamente eleitos".

Eleições tornam-se prova de vida para líder?

Ontem, Rui Rio foi a Vila Real para a apresentação dos cabeças-de-lista do PSD ao distrito. E à margem desse evento acabou por assumir que um mau resultado nestas eleições será "um encontrão para cair".

"Não é um encontrão para eu ir para a frente, é um encontrão para eu cair, como é lógico. Se eu estou a dizer que 2017 correu mal, imagine que 2021 sob a minha responsabilidade ainda cai pior, o encontrão que diz é para eu cair não é para eu andar para a frente", disse o líder do PSD, citado pela Lusa.

Nas últimas autárquicas, o PSD ganhou em 98 câmaras e elegeu 13.050 pessoas, para câmaras, juntas ou assembleias municipais e de freguesia. O PS venceu em 161 câmaras. "Com a descida que tivemos à escala nacional, estas eleições para o PSD, em 2021, assumem uma importância extraordinária", frisou Rio.

O líder social-democrata recusou-se a comentar aos jornalistas o caso "interno" que envolveu a desistência de António Oliveira em Vila Nova de Gaia. Garantiu, no entanto, que "está para breve" a resolução do problema e remeteu a resposta para a "concelhia do PSD".

Rui Rio foi ainda questionado sobre a situação pandémica do país e as medidas que foram adotadas pelo governo. Criticou os "erros " cometidos nos festejos do futebol em Lisboa e no Porto e afirmou que, neste momento, tem de "existir a firmeza para tentar travar" o número de casos de covid-19. "Se não tomarmos as medidas que se impõem, no futuro vamos sofrer muito mais", disse.

Nesse sentido, Rio disse incentivar o governo a tomar essas medidas mais restritivas e assegurou que se estivesse no poder não hesitaria em as levar por diante.

paulasa@dn.pt

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